Gritzbach foi assassinado em novembro de 2024, em frente ao Aeroporto de Guarulhos, após ser considerado alvo pelo PCC
William Oliveira Publicado em 21/01/2025, às 08h00
A Polícia Civil está aprofundando a investigação sobre o assassinato de Vinicius Gritzbach, um delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), ocorrido em 8 de novembro de 2024, nas proximidades do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
As apurações apontam Ademir Pereira de Andrade e Emílio Carlos Castilho como os principais suspeitos de terem encomendado o crime. Ademir é citado na delação de Gritzbach como um testa de ferro para traficantes do PCC e foi preso em dezembro de 2023, durante uma operação realizada pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), focada em lavagem de dinheiro e corrupção policial.
Emílio, por sua vez, é investigado pela possível participação no sequestro de Gritzbach em 2022, em conjunto com policiais civis envolvidos com membros da facção criminosa.
Gritzbach havia sido acusado de desviar R$ 100 milhões pertencentes ao PCC em investimentos em criptomoedas. Após ser julgado por um tribunal do crime, foi liberado sob a condição de devolver documentos sobre imóveis e senhas que possibilitariam a recuperação dos valores investidos pela facção.
A delegada Ivalda Aleixo, responsável pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), revelou que os mandantes teriam oferecido uma quantia de R$ 3 milhões para a execução do homicídio.
No sábado (18), a Polícia Civil prendeu o tenente da PM, Fernando Genauro da Silva, suspeito de ter conduzido o veículo utilizado durante o assassinato. A defesa do policial nega as acusações, afirmando que ele não fazia parte da escolta de Gritzbach nem esteve presente no local do crime.
Na operação realizada na semana anterior, a Corregedoria da Polícia Militar prendeu o cabo Dênis Martins, identificado como um dos executores do homicídio. Dênis e Fernando atuavam no mesmo batalhão da PM.
A ação também resultou na detenção de outros 14 policiais militares ativos, suspeitos de envolvimento em um esquema de segurança privada para Gritzbach.
O caso
Vinicius Gritzbach foi assassinado em novembro de 2024, em frente ao Aeroporto de Guarulhos, após ser considerado alvo pelo PCC. No ataque, foram disparados 29 tiros contra ele. Gritzbach havia revelado informações sobre as práticas de lavagem de dinheiro da facção e extorsões envolvendo policiais civis.
Os policiais mencionados nas investigações, tanto civis quanto militares, foram afastados de suas funções, à medida que a Polícia Civil avançava na apuração do caso. Em 16 de janeiro de 2025, uma operação da Corregedoria da Polícia Militar resultou na prisão de 15 policiais militares suspeitos de envolvimento com o PCC.
A investigação foi iniciada após denúncias anônimas feitas em março de 2024, que apontaram vazamentos de informações que favoreciam criminosos associados à facção. Relatórios indicaram que agentes da polícia estavam prestando serviços de segurança privada para Gritzbach, o que levantou ainda mais suspeitas sobre a possível participação dele na organização criminosa.
Informações sigilosas foram vazadas por policiais, facilitando a fuga de membros do PCC e protegendo seus ativos financeiros. Dênis Antonio Martins, um dos envolvidos na operação, foi acusado de ser um dos responsáveis pelos disparos fatais contra Gritzbach. No mesmo dia, outro tenente da Polícia Militar foi preso, identificado como o motorista do veículo utilizado pelos criminosos no atentado.