Apartamento usado por quadrilha especializada em furtos por "quebra-vidro" armazenava aparelhos, dinheiro em espécie, joias e equipamentos para dificultar rastreamento
Manoela Cardozo Publicado em 11/06/2026, às 16h31
A Polícia Civil desmantelou nesta quinta-feira (11) uma central utilizada por uma quadrilha especializada em furtos e roubos de celulares na capital paulista. Durante a operação, os agentes apreenderam mais de 180 aparelhos de origem criminosa em um apartamento localizado no bairro do Mandaqui, na Zona Norte de São Paulo.
O imóvel era apontado pelas investigações como um centro de recepção, triagem e preparação dos dispositivos para revenda no mercado clandestino. A ação foi realizada após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça.
No local, os policiais prenderam Roberto Marsola Junior pelo crime de receptação. Além dele, outras oito pessoas são investigadas por participação no esquema criminoso. A Polícia Civil informou que novas prisões poderão ocorrer conforme o avanço das investigações e a identificação dos proprietários dos aparelhos apreendidos por meio dos números de IMEI.
Durante a operação, os agentes também encontraram R$ 115 mil em espécie, 560 euros, US$ 285 e diversas joias, incluindo alianças, correntes, pulseiras, pingentes e uma gargantilha. Dois veículos foram recolhidos. Segundo estimativas da polícia, o valor total dos bens apreendidos pode chegar a R$ 500 mil.
As investigações apontam que a organização criminosa atuava principalmente na modalidade conhecida como "quebra-vidro", prática em que criminosos abordam motoristas parados no trânsito para furtar celulares, bolsas e outros objetos de valor após quebrar os vidros dos veículos.
A estrutura encontrada no apartamento chamou a atenção dos investigadores. Os celulares eram armazenados em bolsas conhecidas como Gaiolas de Faraday, equipamentos revestidos com material metálico capazes de bloquear sinais de telefonia móvel e internet. A estratégia impedia o rastreamento dos aparelhos pelas vítimas e pelas autoridades.
Além disso, foram localizados bloqueadores de sinal, conhecidos como Jammers. Esses dispositivos interferem nas comunicações da região, dificultando ainda mais a localização dos equipamentos roubados e o monitoramento das atividades da quadrilha.
De acordo com o delegado Clemente Calvo, da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), vinculada ao Deic, o imóvel funcionava como uma verdadeira central de manipulação dos aparelhos subtraídos.
Segundo o delegado, os celulares passavam por um processo de organização, classificação e preparação para revenda ou desbloqueio antes de serem colocados novamente no mercado.
A polícia apura ainda o destino dos dispositivos e suspeita que parte deles fosse desbloqueada para permitir o acesso a aplicativos bancários das vítimas. Nesses casos, os criminosos poderiam realizar transferências, pagamentos e outras fraudes financeiras, aumentando significativamente os prejuízos causados pelos roubos.
As investigações continuam para identificar todos os integrantes da organização criminosa e rastrear a origem dos aparelhos recuperados durante a operação.