INVESTIGAÇÃO

Polícia e Vigilância fecham cerco contra bebidas falsificadas em SP

A Vigilância Sanitária realiza vistorias em estabelecimentos suspeitos de vender bebidas alcoólicas adulteradas com metanol

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou cinco mortes por intoxicação por metanol - Imagem: Reprodução / Lucas Jozino / TV Globo

William Oliveira Publicado em 01/10/2025, às 08h00

A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com a Vigilância Sanitária, realiza nesta quarta-feira (1º) uma nova rodada de vistorias em quatro estabelecimentos suspeitos de comercializar bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Dois dos locais ficam na Bela Vista, na capital, e outros dois em Barueri. Os endereços não foram revelados para não prejudicar as investigações.

Na terça-feira (30), um bar na Alameda Lorena, nos Jardins, foi interditado após uma mulher de 43 anos perder a visão, supostamente depois de consumir vodca contaminada com metanol.

Essa interdição marca o início de uma operação mais ampla contra a venda de bebidas falsificadas na capital. A ação mobilizou a Vigilância Sanitária municipal e estadual, o Procon e a Polícia Civil.

O bar interditado era frequentado para almoços e encontros informais, mas foi fechado por representar “risco iminente à saúde pública”. Em nota, o estabelecimento, chamado Ministrão, afirmou que todas as bebidas são compradas de fornecedores oficiais, com notas fiscais e procedência garantida por grandes distribuidoras.

Manoel Bernardes de Lara, diretor do Centro de Vigilância Sanitária estadual, alertou que, mesmo com bebidas aparentemente regularizadas, havia preocupação devido à apreensão anterior de mais de 100 garrafas sem nota fiscal.

Outros estabelecimentos também foram interditados: o Torres Bar, na Mooca, e um local em São Bernardo do Campo, ainda não identificado. O Torres Bar disse colaborar com as autoridades e reafirmou a procedência oficial de seus produtos.

O governador Tarcísio de Freitas confirmou, na terça-feira, cinco mortes atribuídas à intoxicação por metanol. Uma delas já foi ligada diretamente ao consumo de bebida adulterada, enquanto quatro permanecem sob investigação.

Na segunda-feira (29), a operação apreendeu 112 garrafas de vodca em diferentes pontos da capital. Tarcísio afirmou que todos os locais associados a casos suspeitos de intoxicação seriam interditados preventivamente até a conclusão das apurações.

“A partir do momento que a gente sabe que aquela bebida foi consumida naquele estabelecimento, esse local vai passar pela interdição cautelar. Não pode continuar comercializando bebidas se a gente tem uma suspeita que a bebida é fraudada”, disse o governador. Ele ressaltou que o procedimento é fundamental para rastrear a origem dos produtos e proteger a população.

Até agora, 22 casos de intoxicação por metanol estão sob investigação: 17 suspeitos e cinco confirmados.

Entre as vítimas está a designer de interiores Radharani Domingos, que perdeu a visão após beber vodca adulterada em um bar da capital. Depois de dias na UTI, ela recebeu alta, mas segue em tratamento, na esperança de recuperar parte da visão.

O que é o metanol?

O metanol é um tipo de álcool utilizado em produtos industriais, como combustíveis, solventes e anticongelantes, mas que não deve ser ingerido por humanos. Diferente do etanol, presente nas bebidas alcoólicas comuns, o metanol é altamente tóxico: mesmo pequenas quantidades podem provocar náuseas, vômitos, dor abdominal, dificuldade para respirar, convulsões, cegueira irreversível e até a morte.

Especialistas recomendam evitar produtos sem rótulo e procurar ajuda médica imediata ao sentir sintomas.

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