Mulheres dizem sofrer empurrões e agressões em treinos no parque
Marina Milani Publicado em 17/08/2025, às 11h48
O Parque Ibirapuera, localizado na Zona Sul de São Paulo, tem sido palco de conflitos que afetam principalmente mulheres que praticam atividades esportivas. Recentemente, diversos relatos de agressões, hostilizações e empurrões em disputas por espaço nas pistas do parque têm chamado a atenção das autoridades e da comunidade.
De acordo com a publicitária Michelly Felipe, a violência já a atingiu enquanto corria: "Eu já fui empurrada. Além de constrangedor, é uma violência contra a gente. Eu tinha a ilusão de que o parque seria um ambiente mais tranquilo para a prática esportiva", comentou.
Outra frequentadora, a advogada Monique Sandy, que corre diariamente no local, também se mostrou preocupada. "Fico chateada porque quase sempre são as mulheres que estão envolvidas", relatou ao mencionar um episódio de agressão que presenciou.
O coletivo Elas que Voam, formado por corredoras que se encontram semanalmente para treinar, tem implementado estratégias para aumentar a segurança durante suas atividades. Drielly Peniche, uma das líderes do grupo, explicou: "A gente divide os treinos em grupos, sempre com uma líder à frente, e pedimos para que as pessoas se posicionem em duplas ou trios, justamente para evitar trombar com alguém ou invadir a ciclofaixa".
Em resposta às denúncias de agressões, a administração do Parque Ibirapuera se manifestou nas redes sociais. Em seu comunicado, reconheceram os casos de violência contra mulheres como inaceitáveis e reafirmaram o compromisso do parque em ser um espaço seguro e plural para todos os frequentadores.
A Urbia, concessionária responsável pela gestão do parque, anunciou a instalação de postos fixos de vigilância em locais estratégicos visando reforçar a segurança dos visitantes. A empresa também orienta que qualquer ato violento deve ser reportado à equipe de segurança do parque, que está preparada para atender as vítimas e acionar a Guarda Civil Metropolitana quando necessário.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informou que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) realiza ações coordenadas com a Urbia para garantir a segurança dos usuários do parque. No entanto, segundo a GCM, não houve registros formais de denúncias sobre as agressões mencionadas. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) também não encontrou boletins de ocorrência relacionados aos casos reportados, mas destacou que intensificou o patrulhamento na área ao redor do Ibirapuera.