Auxílio Emergencial

Nunes estuda auxílio financeiro para famílias do Jardim Pantanal

Após as fortes inundações que afetaram a região, o prefeito de São Paulo anunciou que poderá oferecer compensações financeiras de R$ 30 mil a R$ 50 mil para incentivar a realocação das famílias

Nunes estuda auxílio financeiro para famílias do Jardim Pantanal - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Rovena Rosa

William Oliveira Publicado em 04/02/2025, às 08h00

Em resposta às severas inundações que afetaram o Jardim Pantanal, na zona leste da capital paulista, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou nesta segunda-feira (3) a possibilidade de oferecer compensações financeiras variando entre R$ 30 mil e R$ 50 mil para incentivar a realocação das famílias que residem na área. O anúncio ocorre após chuvas intensas que começaram na última sexta-feira (31), causando danos significativos na região.

"A princípio, pela dimensão e a localização, são 30 anos de problemas, não vejo outra situação a não ser tentar convencer as pessoas a sair de lá. Porque toda vez que chover vai acontecer isso. Estamos pensando em outras ideias, ainda não está fechado, de repente fazer uma ajuda financeira de R$ 20 mil a R$ 50 mil, dependendo da casa, para a pessoa sair de lá", declarou Nunes durante um evento na zona sul da cidade.

Ainda segundo o prefeito, a prefeitura já iniciou um processo de cadastramento das famílias afetadas pelas enchentes e está disponibilizando um auxílio emergencial de R$ 1 mil para cada uma delas, destinado a cobrir despesas imediatas. "Solução definitiva, é praticamente impossível ir contra a natureza e querer conter o Rio Tietê. (…) As pessoas entraram no local de várzea que, quando chove, a água não tem para onde ir e vai para dentro da casa das pessoas", acrescentou o prefeito.

O Jardim Pantanal, localizado nas proximidades do Rio Tietê, foi um dos locais mais severamente impactados pelas chuvas que atingiram o estado na sexta-feira. No sábado (1º), muitos moradores se depararam com ruas alagadas até a altura da cintura. No domingo, a situação ainda permanecia crítica. Nunes enfatizou em entrevista anterior que "remover as pessoas daquela área é a única alternativa viável. Elas estão situadas abaixo do nível do rio, tornando a situação extremamente complexa."

O prefeito também mencionou que estudos estão sendo realizados para a construção de um dique na região, com um custo estimado em cerca de R$ 1 bilhão. No entanto, ele demonstrou ceticismo quanto à viabilidade do projeto.

"Temos que ter transparência. Não dá para fazer um dique contornando toda aquela região do Tietê. Fiz um sobrevoo lá no sábado e fiquei assustado. Muitos crimes ambientais. Pessoas fazendo descarte de entulho, aterrando as áreas de várzea", afirmou Nunes.

Barragem

Nesta mesma segunda-feira (3), o vice-prefeito, Mello Araújo, visitou o Jardim Pantanal e enfrentou protestos por parte dos moradores insatisfeitos com os alagamentos. Os manifestantes questionaram Araújo sobre uma foto que mostrava a comporta da barragem da Penha fechada.

A responsabilidade pela operação das barragens do Tietê recai sobre o governo estadual. Durante uma agenda conjunta com Nunes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) esclareceu que a abertura ou o fechamento da comporta não é fator determinante para as inundações na região.

"Toda vez que chove muito se vem com a polêmica da barragem da Penha. Você fecha as comportas da Penha quando o Rio Tietê está em uma cota 722. Quando chega nessa cota, a água começa a galgar. Então não é a barragem da Penha que provoca enchente. Não é esse o problema. É uma operação técnica, a influência é praticamente nenhuma", argumentou o governador.

Tarcísio também revelou que está buscando uma parceria com o Banco Mundial para desenvolver um diagnóstico sobre resiliência hídrica no estado. "Temos muitas obras em andamento, mas que não são suficientes. São anos de crescimento desordenado sem pensar nessa questão das chuvas, temos uma emergência climática, uma mudança de comportamento, maiores volumes desde a década de 60, algo precisa ser feito", concluiu Tarcísio.

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