A força-tarefa investiga a conexão entre Maria Helena e o traficante Cigarreiro, suspeito do assassinato de Gritzbach
Marina Milani Publicado em 21/01/2025, às 15h09
A força-tarefa encarregada de apurar o assassinato de Vinícius Gritzbach, um conhecido adversário do Primeiro Comando da Capital (PCC), está investigando a conexão entre sua namorada, Maria Helena Paiva Antunes, e uma suposta associada de um dos principais suspeitos do crime, o traficante Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como Cigarreiro ou Bill.
Maria Helena estava presente durante o ataque que resultou na morte de Gritzbach, que foi atingido por disparos de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Os dois retornavam de uma viagem a Maceió e estavam acompanhados por um segurança no momento do incidente.
As investigações revelam que Maria Helena mantinha uma comunicação frequente via WhatsApp com "Yaya", que também é modelo e influenciadora digital. Ambas compartilham interesses semelhantes nas redes sociais, onde Yaya conta com aproximadamente 280 mil seguidores e frequentemente exibe fotos relacionadas a produtos de luxo e viagens internacionais. Além disso, Yaya possui uma marca própria de roupas, e Maria Helena costuma divulgar os itens dessa marca em suas postagens.
Em uma homenagem realizada em agosto, dois meses antes do trágico evento, Maria Helena expressou sua gratidão por ter ao seu lado tanto a melhor amiga quanto o namorado.
"São Paulo me trouxe 2 presentes, que são amores da minha vida e que eu sou apaixonada. Um [dos presentes] é a minha melhor amiga, que é a Yasmin [...] Também me trouxe o meu namorado, a gente está junto vai fazer 1 ano e 1 mês. [Ele] também é o amor da minha vida, sou muito feliz e grata a Deus por isso", escreveu ela nas redes sociais.
Ainda não se sabe ao certo quando ou como Maria Helena conheceu Cigarreiro. Até o momento, ela não foi ouvida pelas autoridades policiais.
Fontes ligadas à investigação indicam que Cigarreiro é um dos principais nomes no tráfico de drogas ligado ao PCC em São Paulo. Ele teria relações com facções rivais do PCC, como Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), tendo acesso livre ao Rio de Janeiro para realizar suas atividades criminosas. Um membro da força-tarefa declarou: "Ele entra e sai no Rio de Janeiro quando quiser. Vende droga para quem quiser no Rio, tanto CV quanto TCP". Também foi mencionado que Gritzbach nutria medo do traficante.
No entanto, até o presente momento, Cigarreiro não possui mandados de prisão em aberto e não é oficialmente considerado procurado pela polícia.
Cigarreiro estaria vinculado a uma facção dentro do PCC liderada por Anselmo Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, que foi assassinado em dezembro de 2021. Além disso, ele estaria ligado à empresa de ônibus UpBus, usada para lavagem de dinheiro.
Vinícius Gritzbach era visto como um potencial mandante do crime em questão. Ele tinha a responsabilidade de investir R$ 100 milhões do PCC em criptomoedas, mas alegadamente desviou os fundos e acabou sendo cobrado por Cara Preta.
Pós-homicídio, Gritzbach foi sequestrado por membros do PCC e levado a um centro de treinamento sob a supervisão de Danilo Lima de Oliveira, conhecido como Tripa, agente esportivo associado à facção criminosa.
Cigarreiro teria estado envolvido em um sequestro e julgamento de Gritzbach em 2022 ao lado de outros indivíduos identificados como Cláudio Marcos de Almeida (Django), Rafael Maeda (Japa) e Diego dos Santos Amaral (Didi), sob a direção de Silvio Luiz Ferreira (Cebola), apontado como líder da célula do PCC na UpBus.