Diante da alta de gripe na capital, a Prefeitura de São Paulo intensificou a vacinação contra a doença com postos montados em estações de metrô, trens e terminais de ônibus para ampliar o acesso da população
William Oliveira Publicado em 12/06/2025, às 09h41
A cidade de São Paulo registrou um crescimento alarmante de 57,1% no número de óbitos causados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocada pelo vírus da influenza entre os meses de janeiro e maio deste ano. Foram 121 mortes no período, ante 77 no mesmo intervalo de 2024.
Os casos graves também aumentaram significativamente. Até maio, a capital contabilizou 1.368 registros de SRAG, o que representa uma alta de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 983 casos. O aumento coincide com a chegada do inverno, estação que tradicionalmente favorece a propagação de doenças respiratórias.
Apesar do agravamento do cenário epidemiológico, a adesão à campanha de vacinação contra a gripe segue aquém do necessário. Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, apenas 40% dos grupos prioritários foram imunizados até agora — muito abaixo da meta de 90%. Aproximadamente 2 milhões de doses foram aplicadas na capital paulista desde o início da campanha.
Para ampliar o acesso à vacinação, a Secretaria Municipal da Saúde passou a oferecer o imunizante em locais de grande circulação, como estações de metrô, trem e terminais de ônibus. A estratégia, iniciada nesta semana, será mantida até o dia 27 de junho.
Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde do município, Melissa Palmieri, a estratégia visa contemplar pessoas que enfrentam dificuldades para se imunizar durante o expediente: "Nossas unidades estão abertas das 7h às 19h, mas às vezes a pessoa está trabalhando, então é mais fácil se vacinar nesses terminais".
Entretanto, mesmo com a ampliação dos pontos de vacinação, os índices de cobertura entre os grupos mais vulneráveis permanecem baixos. Crianças pequenas, gestantes e idosos são os mais suscetíveis a complicações graves pela infecção por influenza.
A infectologista Carla Koayashi alertou sobre a importância da vacinação: "É evitar que aquele indivíduo que tem o maior risco de evoluir para os quadros mais graves — que são os idosos, as crianças menores do que 6 anos, as gestantes — evoluam pra uma necessidade de internação ou até mesmo para um quadro mais grave de óbito".
O aumento dos casos não se restringe à capital. Um boletim recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que São Paulo está entre as 15 capitais brasileiras que enfrentam crescimento contínuo nos casos de síndrome respiratória. O vírus Influenza A segue como o principal responsável pelos óbitos, atingindo especialmente crianças e idosos.