Com uma trajetória de mais de sete décadas, Otero influenciou gerações e deixou um impacto profundo na dança contemporânea brasileira
William Oliveira Publicado em 29/07/2025, às 11h11
O Brasil se despede de Décio Otero, consagrado bailarino e coreógrafo, fundador do emblemático Ballet Stagium, que faleceu na noite de segunda-feira (28), em São Paulo, aos 92 anos.
A confirmação da morte veio por meio das redes sociais do Ballet Stagium, que lamentou a perda com a mensagem: “O céu ficou mais bonito. É com profundo pesar que comunicamos o falecimento do Maestro Décio Otero”. Segundo a publicação, o artista faleceu por volta das 22h50.
A nota destacou a luz e o amor que Otero transmitiu àqueles com quem conviveu, reforçando que seu legado — construído ao longo de mais de 80 obras-primas — continuará vivo nas lembranças e nas inspirações deixadas a inúmeras gerações.
O portal especializado em dança Mud exaltou sua trajetória, lembrando que ele transformou a dança em expressão política e poética ao longo de mais de sete décadas. “Seu legado permanece vivo no corpo da dança brasileira, nas gerações que formou e nas histórias que ajudou a transformar em arte”, escreveu o site.
Quem foi Otero?
Nascido em Ubá (MG), em 15 de julho de 1933, Décio Otero iniciou sua carreira em 1951 no Ballet de Minas Gerais, sob orientação de Carlos Leite. Foi nesse período que conheceu os importantes bailarinos Angel e Klauss Vianna, com quem desenvolveu amizade.
Em 1956, foi convidado por Tatiana Leskova para integrar o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, destacando-se como solista no ano seguinte. Nesse ambiente artístico, conheceu Marika Gidali, bailarina húngara que se tornaria sua companheira de vida e de palco. Juntos, fundaram o Ballet Stagium, referência nacional em dança contemporânea.
Com carreira internacional de destaque, Otero passou por companhias como o Ballet du Grand Théâtre de Genève e o Balé da Ópera de Colônia, além de atuar no musical King, em Copenhagen.
De volta ao Brasil em 1970, ele e Marika lançaram o programa Convite à Dança na TV Cultura e fundaram oficialmente o Ballet Stagium. Sua contribuição à cultura nacional foi reconhecida com diversos prêmios, incluindo o Governador do Estado de São Paulo (1961) e honrarias da APCA.
Além das coreografias, Otero também se destacou como autor, com publicações como As Paixões da Dança e Marika Gidali.