Operação Coluna Sul

Megaoperação contra o PCC mira 22 suspeitos presos em São Paulo e cumpre 320 mandados em seis estados

Ação do MP-SC é considerada a maior da história do Gaeco e busca interromper crimes ordenados de dentro de presídios paulistas

- Imagem: Divulgação/MPSC

Letícia Sales Publicado em 01/07/2026, às 10h59

Uma megaoperação deflagrada nesta quarta-feira (1º) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) mira, entre seus alvos, 22 suspeitos de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que estão presos em São Paulo. A ação, batizada de Operação Coluna Sul, é cumprida simultaneamente em seis estados brasileiros.

Em São Paulo, a Justiça catarinense expediu mandados contra alvos que já estão detidos, distribuídos por sete presídios do estado. A lista inclui unidades tanto na capital — como a Penitenciária Feminina de Santana, na região do Carandiru, Zona Norte — quanto no interior, em cidades como Lavínia, Potim e Irapuru.

Segundo promotores responsáveis pela ação, os presos que já cumprem pena terão suas celas revistadas e serão formalmente cientificados da existência de novos mandados de prisão contra eles. O objetivo central da operação é interromper a prática de crimes que estariam sendo planejados ou ordenados de dentro dos presídios, com destaque para o crime de organização criminosa vinculado ao tráfico de drogas.

320 mandados em seis estados

Ao todo, o MP-SC cumpre 320 ordens judiciais nesta quarta-feira, sendo 151 mandados de prisão temporária e 169 mandados de busca e apreensão. As ações se estendem por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

De acordo com o órgão catarinense, a Operação Coluna Sul tem como propósito desarticular a atuação do PCC nessa região do país e é considerada a maior operação já realizada na história do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). O MP-SC afirma que o foco principal é conter a capacidade de articulação dos investigados, apontados como suspeitos de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e porte ilegal de armas de fogo. A operação é um desdobramento direto de apurações iniciadas na Operação Maserati.

Estrutura mobilizada em Santa Catarina

Somente em solo catarinense, a megaoperação mobilizou 103 integrantes do Gaeco e cerca de 552 agentes de segurança pública, com apoio de 198 viaturas e dois helicópteros. Para dar suporte à ação, foram montadas cinco bases operacionais nas cidades de Florianópolis, Joinville, Lages, Chapecó e São Miguel do Oeste.

Confronto deixa suspeito morto no Paraná

A operação também registrou um episódio de violência no Paraná. Ao chegarem ao endereço de um dos alvos, os policiais foram recebidos a tiros por criminosos, o que deu início a um confronto armado. Os agentes reagiram para conter os suspeitos e garantir a segurança de todos os envolvidos. Durante o tiroteio, um integrante da facção morreu.

Todo o material apreendido durante as ações será encaminhado à Polícia Científica, responsável por realizar as perícias necessárias para comprovar os crimes investigados e assegurar a validade jurídica do que foi recolhido. A investigação segue tramitando em sigilo.

Por que o nome "Coluna Sul"

A denominação da operação faz referência à expressão usada pelo próprio PCC para designar o conjunto formado pelos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — território estratégico para a expansão e o controle da facção nas regiões Sul e Centro-Oeste do país.

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