Presidente anunciou a decisão após conversar com a família de Juliana Marins e determinou que o Itamaraty custeie o transporte do corpo ao Brasil
Lívia Gennari Publicado em 26/06/2025, às 17h47
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (26), em São Paulo, que vai revogar um decreto editado em 2017 que impede o Itamaraty de arcar com os custos do transporte de corpos de brasileiros mortos no exterior. A decisão foi anunciada após a repercussão da morte de Juliana Marins, de 26 anos, durante uma trilha na Indonésia.
Quando chegar a Brasília, vou revogar o decreto e fazer outro para que o governo assuma a responsabilidade de custear as despesas para o corpo dessa jovem vir ao Brasil", declarou Lula.
De acordo com o presidente, ele só descobriu a existência do decreto após o caso de Juliana ganhar repercussão. A revogação do decreto deve ser oficializada nos próximos dias, segundo o governo federal. No entanto, o presidente não deixou claro quais casos a nova regra vai abranger nem quais custos específicos serão bancados pelo governo.
Mais cedo, Lula falou por telefone com Manoel Marins, pai de Juliana, e se solidarizou com a dor da família. O presidente afirmou ter determinado ao Ministério das Relações Exteriores que ofereça todo o suporte necessário, incluindo o custeio do translado.
Eu falei para o seu Manoel (pai de Juliana), a gente vai ajudar no seu sofrimento, resgatando a sua filha e trazendo. Vamos cuidar de todos os brasileiros, estejam eles onde estiverem", afirmou o presidente.
Morte de Juliana Marins na Indonésia: entenda o que aconteceu
Juliana Marins, uma publicitária de 26 anos, foi encontrada morta na terça-feira (24), após sofrer uma queda durante uma trilha no Monte Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia. Ela estava em um mochilão pela Ásia quando sofreu o acidente.
O corpo foi localizado a cerca de 500 metros do ponto onde ela teria caído. O resgate mobilizou agentes da Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia (Basarnas) e outras forças de segurança do país, e levou quase 15 horas para ser concluído.
A família de Juliana criticou a lentidão nas buscas e, em nota divulgada nas redes sociais, afirmou que a jovem foi vítima de negligência por parte das autoridades locais.
"Juliana sofreu uma grande negligência por parte da equipe de resgate. Se a equipe tivesse chegado até ela dentro do prazo estimado de 7h, Juliana ainda estaria viva. Juliana merecia muito mais! Agora nós vamos atrás de justiça por ela, porque é o que ela merece! Não desistam de Juliana!", declarou a família da jovem em uma publicação.
Quem foi Juliana Marins?
Juliana Marins era natural do Rio de Janeiro e morava em Niterói, na Região Metropolitana do estado carioca. Desde fevereiro, viajava pela Ásia em um mochilão e já havia visitado países como Filipinas, Vietnã e Tailândia, divulgando registros frequentes das viagens nas redes sociais. Formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela também atuava como dançarina de pole dance.
A espera pelo resgate de Juliana gerou comoção nas redes sociais, com campanhas de oração e solidariedade à família.