Ministério Público aceitou denúncia contra oficial da PM, que teria usado treinos de jiu-jitsu como pretexto para abusos sexuais
William Oliveira Publicado em 12/03/2026, às 11h36
Um oficial da Polícia Militar de São Paulo tornou-se réu na Justiça sob a acusação de estuprar e assediar sexualmente a própria enteada, atualmente com 15 anos. A decisão, fundamentada em denúncia aceita pelo Ministério Público neste mês de março de 2026, detalha um histórico de abusos que teria se estendido por cinco anos, além de crimes de violência doméstica contra a ex-esposa, mãe da adolescente.
De acordo com os autos, os abusos contra a menor teriam começado em 2016, quando ela tinha apenas 6 anos. A mãe relatou às autoridades que o capitão simulava "treinos de jiu-jitsu" como pretexto para tocar as partes íntimas da criança. Mesmo após a separação do casal, em 2021, as investidas não cessaram; em 2025, a adolescente teria passado a receber fotos íntimas do ex-padrasto, que utilizava uma identidade falsa no celular para manter o assédio.
Paralelamente ao crime sexual, o oficial responde por agressões constantes contra a ex-mulher. Em depoimento, ela descreveu um cenário de intimidação psicológica e física, afirmando que o capitão deixava sua arma de serviço sobre a mesa durante discussões e forçava relações sexuais após episódios de violência.
"Ele me dizia que me batia para me corrigir porque me amava. Ele me levava para a cozinha e todas as vezes que íamos conversar, ele deixava a arma em cima da mesa para me intimidar. Ele se esconde atrás da farda da PM", declarou a vítima.
Atualmente, o oficial já é réu pelo crime de estupro de vulnerável, enquanto as denúncias de violência doméstica seguem em fase de análise judicial. Como medida cautelar, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência, proibindo qualquer contato ou aproximação do capitão com as vítimas. O nome do acusado permanece sob sigilo para preservar a identidade da menor de idade.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi investigado pela 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e que a Corregedoria da Polícia Militar acompanha o processo para a aplicação de eventuais sanções administrativas. Até o momento, não houve confirmação sobre o afastamento do oficial de suas funções operacionais.
A defesa tem o prazo de 10 dias para apresentar a resposta prévia. O processo tramita sob segredo de justiça.