Secretaria da Saúde de SP confirma que Soffia Del Valle, de 15 anos, não sofreu intoxicação por bebida adulterada
Lívia Gennari Publicado em 07/01/2026, às 19h05
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo descartou que a morte da adolescente venezuelana Soffia Del Valle Torrealba Ramos, de 15 anos, tenha relação com intoxicação por metanol. A jovem passou mal após consumir gin comprado por amigos em uma adega de Cidade Tiradentes, na Zona Leste, na quinta-feira (1º).
Inicialmente, a ficha médica indicava a possibilidade de intoxicação por bebida adulterada, o que motivou a Polícia Civil a investigar o caso. O registro foi feito como morte suspeita a esclarecer pelo 54º Distrito Policial, mas exames laboratoriais confirmaram que não houve presença de metanol no organismo da vítima.
Testemunhas contaram que Soffia passou mal após ingerir a bebida comprado na adega onde o dono foi preso na última segunda-feira (5), por ligação clandestina de energia elétrica e armazenamento irregular de fogos de artifício. Durante a operação, a polícia apreendeu diversas garrafas de destilados, como uísque, gin, rum e vodka.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (7), a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), reforçou que “para o caso envolvendo a paciente S.D.V.T.R., foi descartada intoxicação por metanol.”
Além de Soffia, outros 563 casos suspeitos foram descartados para intoxicação por metanol no estado. Quatro óbitos ainda seguem sob investigação: um homem de 39 anos em Guariba, outro de 31 anos em São José dos Campos e dois, de 29 e 38 anos, em Cajamar.
Até o momento, São Paulo registra 51 casos confirmados de intoxicação por metanol, com 11 mortes. O caso de vítima mais jovem com intoxicação confirmada é de uma adolescente de 16 anos, no bairro do Itaim Bibi, em agosto de 2025.
A Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), mantém as investigações para identificar toda a cadeia de produção e distribuição de bebidas adulteradas no estado.
Desde o início dos casos de contaminação, 66 pessoas foram presas em 2025, sendo 46 por envolvimento direto na falsificação de bebidas. Ao todo, as ações resultaram na apreensão de 140 mil vasilhames, 22,5 mil garrafas e 481,5 mil itens usados na adulteração, como rótulos e lacres.