Pré-candidato ao Governo de São Paulo também questionou política de segurança pública e aumento nas tarifas da Sabesp após privatização
Letícia Sales Publicado em 28/05/2026, às 12h30
O pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou nesta quinta-feira (28) a condução da segurança pública pela gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e afirmou que falta cooperação entre o governo estadual e órgãos federais no combate ao crime organizado.
Durante uma roda de conversa com professores e estudantes em Bauru, no interior paulista, Haddad citou a nova fase da Operação Carbono Oculto — realizada em conjunto pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal — como exemplo da importância da integração entre instituições. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no setor de combustíveis.
“Renegar a cooperação com a União no que diz respeito à segurança pública é um outro erro do governo do estado. Sem a cooperação da Polícia Federal, da Receita Federal, do COAF, você não consegue combater o crime organizado. Hoje está saindo uma nova operação da Receita Federal com o Ministério Público. Estão cooperando. Por que a Secretaria de Segurança Pública se recusa a cooperar com o governo federal? Com a troca de informações, com banco de dados compartilhado, com inteligência compartilhada”, declarou o petista.
O tema da integração entre estados e governo federal tem sido debatido no Congresso Nacional durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora segue em análise no Senado.
Haddad também comentou os índices de feminicídio em São Paulo e afirmou que o problema exige medidas estruturais e planejamento técnico. Sem citar diretamente integrantes da gestão estadual, ele criticou ações adotadas pelo governo paulista no enfrentamento à violência doméstica.
“Um aplicativo a mais não vai resolver o problema do feminicídio. Você precisa de um estudo sério, você precisa de gente competente na Secretaria de Segurança”, afirmou, em referência ao aplicativo SP Mulher Segura, criado pelo governo estadual.
Além das críticas à segurança pública, o ex-ministro da Fazenda questionou os impactos da privatização da Sabesp. Segundo Haddad, moradores de cidades atendidas pela companhia vêm enfrentando aumento nas contas de água após a mudança no modelo de gestão.
“Eu estou muito preocupado com isso. Porque onde a população é atendida pela Sabesp, as contas estão aumentando muito. O governador prometeu, com a privatização, reduzir a tarifa de água. E está acontecendo o contrário. Em alguns casos, 6%, 10%, mas tem casos que dobrou a conta de água. Muitos casos”, disse.
O petista ainda afirmou que o aumento das reclamações sobre abastecimento e tarifas já reflete nos órgãos de defesa do consumidor.
“O índice de reclamação dos serviços de água da Sabesp tomaram a dianteira nos Procons de São Paulo. Você tem um problema”, completou.