Investigação

Hacker foragido na Sérvia negocia delação e acusa policiais civis de SP de grampo ilegal

Patrick Brito afirma ter sido cooptado por equipe de delegado em Araçatuba para invadir celulares; MPF avalia acordo de colaboração.

Sede da Polícia Civil em São Paulo; investigações apuram suspeita de invasões ilegais de dispositivos - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 23/02/2026, às 13h47

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O hacker Patrick Brito, atualmente foragido na Sérvia, negocia um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) para detalhar um suposto esquema de invasão de dispositivos e interceptações ilegais envolvendo policiais civis de São Paulo.

Segundo relatos apresentados por Brito, ele teria sido cooptado por integrantes da equipe do delegado Carlos Henrique Cotait, em Araçatuba, para obter provas ilícitas que teriam sido utilizadas em diferentes inquéritos policiais.

O caso ganhou repercussão após denúncia relacionada à Operação Raio-X, deflagrada em agosto de 2020 para investigar supostos desvios de recursos em contratos entre prefeituras e organizações sociais.

Entre os episódios citados está o do médico Franklin Cangussu Sampaio, ligado ao ex-governador Márcio França (PSB), atualmente ministro do Empreendedorismo. Após ter o celular apreendido durante diligências, o médico relatou ter sido vítima de extorsão. Posteriormente, Brito foi apontado como responsável pela invasão do dispositivo e afirmou que teria atuado em conjunto com policiais.

Apesar de procedimentos anteriores nas Corregedorias de Santos, Araçatuba e Iguape terem sido arquivados, com o afastamento de apenas um policial, dois inquéritos foram instaurados pela 5ª Vara Federal de Santos em outubro de 2024 com base nas denúncias feitas pelo hacker.

Em setembro do ano passado, a procuradora Gabriela Saraiva Hossri declarou que mais de 70 documentos apresentados por Brito indicariam a possível participação de outros policiais civis. Ela também solicitou a conclusão de perícias técnicas para verificar a autenticidade do material.

O Ministério Público Federal avalia agora os termos da possível colaboração premiada, que pode ampliar o alcance das investigações e revelar novos desdobramentos no caso.

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