HOMENAGEM

Exposição em SP celebra 50 anos de carreira de Ney Matogrosso

Com ambientação envolvente, a mostra no Museu da Imagem e do Som, reflete a dualidade da personalidade do artista, entre intensidade e discrição

Exposição em SP celebra 50 anos de carreira de Ney Matogrosso - Imagem: Divulgação / Thereza Eugênia

William Oliveira Publicado em 21/02/2025, às 09h08

A partir desta sexta-feira (21), o Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, abre suas portas para a exposição "Descobrindo Ney", dedicada ao renomado artista Ney Matogrosso. O evento se destaca por sua ambientação envolvente, com tecidos leves que pendem do teto e paredes adornadas com uma coleção de fotografias que retratam diferentes momentos da carreira do cantor.

André Sturm, diretor do MIS e curador da mostra, explica que a escolha dos elementos decorativos visa refletir a dualidade da personalidade de Ney Matogrosso: "Embora ele exiba uma intensidade marcante em seus shows, sua vida pessoal sempre foi marcada pela discrção. A leveza e o mistério presentes na exposição são representações desse contraste", afirma Sturm.

A exposição é uma homenagem aos 50 anos de carreira solo de Ney Matogrosso, iniciada após seu afastamento do icônico trio Secos & Molhados em agosto de 1974, com o lançamento do álbum Água do céu-pássaro. Dividida em seis áreas temáticas, a mostra proporciona um passeio cronológico pela rica obra do artista.

O curador destaca que a intenção é transmitir ao público a emoção intrínseca à arte do artista: "O Ney é um artista que tem uma personalidade muito particular. Ele muda o jeito, muda o figurino, muda a luz do show. Todos os discos que gravou, ele gravou pensando no show", observa Sturm.

A proposta da exposição é dar destaque à carreira artística de Ney Matogrosso, preservando a privacidade que ele sempre manteve em relação à sua vida pessoal. "A gente focou no Ney Matogrosso que as pessoas conhecem e admiram. Claro, aqui elas vão conhecer mais disso, elas vão ver mais fotos, vão ver shows", complementa o curador.

Com uma rica seleção de figurinos e adereços usados em performances e videoclipes, além de documentos históricos e capas de álbuns, a exposição também exibe trechos de uma entrevista concedida por Ney ao programa Notas Contemporâneas do MIS. As fotografias que ilustram as várias fases da carreira do artista foram registradas por renomados fotógrafos como Madalena Schwartz e Thereza Eugênia.

O acervo exposto é resultado da generosa doação de Ney Matogrosso ao Senac São Paulo, que tem se encarregado da preservação da coleção. Esta é a primeira vez que os visitantes poderão contemplar toda a coleção, com mais de 200 itens, que vão desde calçados a acessórios cênicos.

Os textos que contextualizam a exposição foram redigidos pelo jornalista Julio Maria, autor da biografia Ney Matogrosso - A Biografia. Ele salienta como o artista superou os desafios das últimas décadas sem perder sua essência.

"Ney Matogrosso nasce e perpassa todos os dilemas de cinco décadas ou seis décadas ereto, de cabeça levantada, quer dizer ele não cai em nenhuma armadilha que todas essas décadas colocaram para ele. A perseguição dos militares, a aids, a demonização que veio com a aids sobre a expressão do corpo e da liberdade sexual, a revolução tecnológica do CD e depois do streaming - tudo isso poderia tê-lo enterrado muitas vezes", observa Maria.

Para o biógrafo, a palavra que melhor define esta nova mostra é liberdade. "Ney nasceu na fronteira entre Paraguai e Brasil. E se você perceber, é na fronteira que as coisas se misturam", conclui Julio Maria. Sturm reforça essa visão, destacando que poucos artistas conseguem se manter relevantes por tanto tempo: "A fronteira onde as coisas se misturam está dentro dele. Então, para mim, ele tem esse transbordamento de fronteiras o tempo todo", ressalta.

A entrada para o MIS é gratuita às terças-feiras e na terceira quarta-feira de cada mês. Mais informações sobre a exposição estão disponíveis no site oficial do museu.

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