INVESTIGAÇÃO

Dono do Banco Master é acusado de planejar agressão contra jornalista: “Quero dar um pau nele”

Preso nesta quarta-feira (4/3), o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, é apontado pela Polícia Federal como responsável por monitorar jornalistas e cogitar agressão contra um crítico, segundo relatório enviado ao STF

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master - Imagem: Reprodução / Ana Paula Paiva / Valor

William Oliveira Publicado em 04/03/2026, às 09h23

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é investigado pela Polícia Federal (PF) por supostamente monitorar jornalistas e planejar intimidações contra críticos. As informações constam em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Vorcaro foi preso na manhã desta quarta-feira (4) durante nova fase de operação autorizada pelo ministro André Mendonça. A investigação aponta que o banqueiro utilizava colaboradores para levantar dados pessoais, acompanhar publicações negativas e adotar estratégias para neutralizar adversários.

Em mensagens analisadas pela PF, Vorcaro conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes, apontado como um dos responsáveis pela execução das ações de vigilância. Em um dos trechos, o empresário escreve:

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, em referência ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

O interlocutor responde: “Estamos em cima de todos os links negativos. Vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”. Em outro momento, Vorcaro reforça: “Quero dar um pau nele”. O colaborador questiona: “Pode? Vou olhar isso…”. O empresário responde que “sim”.

Segundo o relatório, Luiz Phillipi exercia papel central na coordenação de um grupo informal chamado “A Turma”, estrutura que, conforme a PF, era usada para vigilância, coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do grupo.

A Polícia Federal sustenta que Vorcaro seria o responsável por determinar as ações, enquanto os integrantes executavam as ordens. O documento enviado ao STF indica que jornalistas que publicavam reportagens contrárias aos interesses do empresário estariam entre os principais alvos.

Prisão

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. Segundo a PF, o grupo investigado pode ter cometido crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Vorcaro foi detido em sua residência e encaminhado à Superintendência da PF na capital paulista. Ao todo, a operação cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As apurações contam com apoio do Banco Central do Brasil.

A decisão judicial também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo e preservar valores possivelmente obtidos de forma ilícita.

A prisão ocorreu no mesmo dia em que o empresário deveria prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado Federal. A convocação havia sido aprovada após requerimento do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Na terça-feira (3), André Mendonça atendeu a pedido da defesa e dispensou Vorcaro da obrigatoriedade de comparecer à comissão.

O empresário já cumpria medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Também estava prevista sua oitiva na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima terça-feira (10). Além dele, o empresário Fabiano Campos Zettel, seu cunhado, também é alvo da operação e tinha depoimento previsto na CPI.

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