Prisão por maus-tratos a gatos

Dona de ONG é presa suspeita de maus-tratos a 143 gatos e manter 14 corpos em freezer

Patrícia Louana Masiero, à frente da ONG Perfeitos e Especiais, foi flagrada com medicamentos vencidos e carteiras de vacinação assinadas em branco; ela nega irregularidades

- Imagem: Reprodução/TV Globo

Letícia Sales Publicado em 01/07/2026, às 11h18

Uma mulher responsável por uma ONG de proteção animal foi presa em flagrante na manhã desta quarta-feira (1º), suspeita de submeter gatos a maus-tratos. A prisão ocorreu durante uma operação conduzida pela Delegacia de Crimes Contra os Animais, que resultou na descoberta de 143 gatos em condições precárias e outros 14 corpos de felinos dentro de um freezer.

A suspeita foi identificada como Patrícia Louana Masiero. Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão no imóvel vinculado à ONG Perfeitos e Especiais, entidade que arrecadava recursos pela internet sob a justificativa de manter os animais sob seus cuidados.

Durante a vistoria, a polícia também encontrou medicamentos com prazo de validade vencido, além de carteiras de vacinação já assinadas em branco por médicos veterinários — o que indicaria possível fraude na documentação sanitária dos animais. Diante das irregularidades constatadas, a Vigilância Sanitária determinou a interdição total da ONG.

Suspeita nega irregularidades

Ao deixar o local, momentos antes de ser levada em uma viatura policial, Patrícia afirmou ser vítima de uma armação. "Isso é coisa de alguém que aprontou para mim. Estou há 20 anos na causa animal e sempre defendi os bichos. Não fiz nada de errado. É tudo muito limpo e bem organizado. [Essa denúncia e vídeos] são de quem deveria cuidar e não cuidou [dos animais]. E fez isso de má-fé", declarou.

Questionada sobre os corpos encontrados no freezer, a suspeita disse que se tratavam de animais que haviam morrido desde novembro e que o destino dos corpos seria o uso em estudos de faculdades de veterinária.

Autuações e destino dos animais

O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) participou da fiscalização e autuou a entidade por ausência de responsável técnico, além de outras irregularidades identificadas no local — entre elas, os próprios maus-tratos constatados contra os animais.

Todos os 143 gatos resgatados foram encaminhados a ONGs regularizadas, que passaram a oferecer atendimento veterinário e abrigo aos felinos. Segundo a polícia, parte significativa dos animais apresentava sinais de doenças e de maus-tratos.

Patrícia Louana Masiero foi conduzida à carceragem do 6º Distrito Policial. De acordo com as autoridades, ela responde por um crime classificado como inafiançável. A investigação agora busca apurar também se alguns dos animais teriam sido colocados vivos dentro do freezer.

Os corpos dos gatos foram encaminhados ao Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), onde serão submetidos a exames de necropsia para esclarecer as circunstâncias das mortes.

A polícia informou ainda que a suspeita declarou comercializar os animais de forma irregular para uma faculdade, onde seriam utilizados em pesquisas — mas não revelou o nome da instituição. A Polícia Civil segue investigando essa versão.

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