JUSTIÇA

Cupertino entra com recurso para anular condenação de 98 anos por triplo homicídio

Advogadas de Cupertino argumentam que negativa de perícias comprometeu defesa e pedem anulação da sentença

Fórum Criminal da Barra Funda, local onde ocorreu o julgamento do empresário - Imagem: Reprodução / TV Globo / Lucas Jozino

William Oliveira Publicado em 06/06/2025, às 09h22

Na última quinta-feira (5), a defesa do empresário Paulo Cupertino protocolou um recurso legal contra a sentença imposta pelo júri popular, que resultou em sua condenação a 98 anos de prisão em regime fechado. O veredicto se refere ao assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais dele, ocorrido em 2019, na cidade de São Paulo.

O pedido, formalmente denominado interposição de recurso, foi encaminhado ao juiz Antonio Souza, responsável pela sentença, que foi baseada na maioria dos votos dos jurados. Conforme a legislação vigente, o magistrado deverá remeter o recurso ao Tribunal de Justiça (TJ), onde um desembargador analisará os argumentos apresentados e solicitará à defesa que apresente as razões da apelação.

As advogadas Mirian Souza, Juliane Oliveira e Camila Motta já haviam sinalizado, durante o julgamento, a intenção de solicitar a anulação da decisão do júri. Elas alegam que a negativa do juiz em autorizar perícias adicionais comprometeu a possibilidade de uma defesa plena.

Além disso, sustentam que a condenação ocorreu sem provas concretas que confirmem a participação de Cupertino nos crimes. Em seu interrogatório, o réu negou envolvimento nos homicídios e declarou-se inocente.

As vítimas — Rafael Miguel e seus pais, João e Miriam Miguel — foram atingidas por doze disparos. As filhas de Cupertino, Isabela e Vanessa Tibcherani, relataram que os crimes foram motivados pela desaprovação do pai quanto ao relacionamento da filha com Rafael.

Durante a investigação, Cupertino atribuiu os assassinatos a um terceiro indivíduo, sem apresentar qualquer evidência que sustentasse a alegação. Câmeras de segurança registraram o momento em que uma das vítimas foi baleada, seguido da fuga do empresário. Após quase três anos foragido, ele foi capturado em 2022.

O Ministério Público acusou o réu por triplo homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Caso o Tribunal de Justiça rejeite o pedido de anulação do júri e não determine novo julgamento, a defesa planeja solicitar uma liminar para a redução da pena. Da pena original de 98 anos, Cupertino poderá cumprir no máximo 30 anos em regime fechado, com possibilidade de liberdade condicional a partir de 2052.

Até a última atualização, o empresário continuava detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo. Sua transferência para uma penitenciária ainda será avaliada pela administração do CDP e pelo juiz-corregedor do sistema prisional.

Fontes revelaram que Cupertino prefere permanecer no CDP de Guarulhos; porém, se transferido, manifestou interesse em ser levado à Penitenciária de Tremembé, onde estão presos envolvidos em casos de grande repercussão.

julgamento Condenação Crime justiça fundação casa ASSASSINATO DEFESA RECURSO PAULO CUPERTINO Rafael Miguel São Paulo Ministério Público Tremembé triplo homicídio pena de prisão

Leia também