Investigação revela que o crime foi planejado para encobrir um esquema de apropriação indevida de bens avaliados em R$ 12 milhões
William Oliveira Publicado em 20/06/2025, às 08h51
O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, no interior de São Paulo, conduz uma apuração sobre o assassinato do casal de empresários José Eduardo Ometto Pavan, de 69 anos, e Rosana Ferrari, de 60. O crime ocorreu no dia 4 de abril de 2025, em São Pedro, onde os corpos foram encontrados dois dias depois, dentro de um veículo e com sinais evidentes de violência.
Na segunda-feira (17), a polícia prendeu quatro suspeitos ligados ao caso, incluindo os advogados Hércules Praça Barroso e Fernanda Morales Teixeira Barroso. O casal de advogados teria encomendado a execução das vítimas e foi detido em um condomínio de alto padrão, na região entre Piracicaba e São Carlos. Na mesma operação, dois homens apontados como executores do crime foram capturados em Praia Grande.
Após a audiência de custódia realizada na terça-feira (18), a Justiça decidiu manter os quatro sob prisão temporária por pelo menos 30 dias. Os advogados dos acusados informaram que pretendem solicitar habeas corpus. A defesa dos executores, por sua vez, afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo e, portanto, não pôde elaborar sua linha de defesa.
De acordo com a Polícia Civil, os advogados estariam envolvidos em um esquema de apropriação indevida de bens das vítimas, estimados em cerca de R$ 12 milhões. Sob o pretexto de oferecer “proteção patrimonial”, eles teriam utilizado sua posição de confiança para desviar ativos dos empresários. As investigações apontam que o homicídio foi planejado para encobrir os crimes financeiros.
🔍 Cronologia dos fatos:
A motivação do crime seria o patrimônio vultoso deixado pelo casal, que não possuía herdeiros diretos. Desde 2013, os empresários mantinham relação profissional com os advogados presos, confiando-lhes a administração de bens por meio de uma holding. A polícia também investiga a existência de documentos falsificados que teriam possibilitado um desvio financeiro de aproximadamente R$ 2,8 milhões.
Entre os executores estão Carlos César Lopes de Oliveira, ex-motorista particular e ex-candidato a cargo público, e Ednaldo José Vieira. As autoridades não descartam a participação de outros envolvidos na execução do crime.
Os quatro suspeitos estão sendo formalmente acusados por homicídio qualificado, associação criminosa, estelionato e outros delitos correlatos. As investigações prosseguem, enquanto a sociedade e os familiares das vítimas clamam por justiça diante da brutalidade do caso.