Desde as 4h desta sexta-feira, os trens circulam normalmente nas linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e no Expresso Aeroporto; intervenção vale por 90 dias
Julio Cezar Souza Publicado em 24/07/2026, às 10h40
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos voltou a responder pela operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nesta sexta-feira (24), em uma medida emergencial que deve durar 90 dias. A decisão foi tomada pelo Governo de São Paulo em conjunto com a Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo, a Artesp, após uma sequência de problemas registrados logo no início da concessão à Trivia Trens.
Desde as 4h da manhã, os trens dessas três linhas e também do Expresso Aeroporto, que liga a estação Barra Funda ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, circulam normalmente.
A intervenção chama atenção por ser inédita no sistema ferroviário paulista. Esta é a primeira vez que o Estado determina o retorno da CPTM à operação de linhas que já haviam sido transferidas para a iniciativa privada.
A decisão foi motivada pelos transtornos enfrentados pelos passageiros nos primeiros dias da nova gestão. Houve interrupções no serviço, atrasos, plataformas cheias e até um incêndio em uma composição, situação que agravou ainda mais a rotina de quem depende diariamente do transporte na Região Metropolitana de São Paulo.
Para o diretor-presidente da Artesp, André Isper, a resposta precisava ser imediata. Em nota, ele afirmou que o cenário observado nos últimos dias não poderia ser mantido. "O que nós vimos nos últimos dois dias, especialmente hoje, é inaceitável", disse. Segundo ele, o objetivo agora é garantir um serviço mais estável e menos prejudicial aos usuários.
A agência informou que a forma como a CPTM atuará nesse período ainda será definida internamente. A companhia, segundo a Artesp, dispõe de equipes técnicas, estrutura operacional e profissionais preparados para entrar em ação de forma rápida, o que deve ajudar a reduzir os impactos para os passageiros enquanto a situação é reavaliada.
O contrato firmado com a Trivia Trens prevê etapas de transição e mecanismos de acompanhamento da operação. De acordo com a Artesp, quando essas exigências não são cumpridas de maneira satisfatória, o Estado tem respaldo para intervir e retomar temporariamente a gestão do serviço.
A agência também afirmou que o modelo contratual foi aperfeiçoado com base em experiências anteriores de concessões ferroviárias. A ideia, segundo o órgão, é ampliar o período de transição, fortalecer a fiscalização e dar mais agilidade à atuação do poder público diante de falhas operacionais.
O governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, afirmou durante agenda em Ourinhos que a concessionária pode perder o contrato caso não cumpra as obrigações previstas. "Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai sofrer as sanções e a gente também não vai hesitar, em algum momento, em tirar a empresa do contrato", declarou.
Nas redes sociais, o governador também classificou os problemas como inaceitáveis e disse que o governo trabalha para identificar responsabilidades e aplicar as punições cabíveis. Ele afirmou ainda que o Estado conta hoje com contratos mais robustos e agências reguladoras fortalecidas, capazes de agir com rapidez diante de falhas graves.
Em nota, a Trivia Trens informou que se preparou para assumir a operação com mais de 2.300 colaboradores e um ciclo intenso de treinamentos. A empresa reconheceu que recebeu uma malha ferroviária complexa, com gargalos estruturais acumulados ao longo do tempo, e disse manter diálogo permanente com o poder público para aprimorar o serviço oferecido aos passageiros.