INVESTIGAÇÃO

Corregedoria prende policiais militares envolvidos com o PCC

Na operação, treze pessoas foram presas, entre elas um policial militar acusado de ser o autor dos disparos que causaram a morte de Vinicius Gritzbach

Corregedoria prende policiais militares envolvidos com o PCC - Imagem: Reprodução / Câmera Record

William Oliveira Publicado em 16/01/2025, às 08h08

Na manhã desta quinta-feira (16), a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo deu continuidade à operação contra policiais militares suspeitos de colaboração com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante a ação, treze pessoas foram detidas, incluindo um policial militar identificado como responsável pelos disparos que resultaram na morte de Vinicius Gritzbach, ocorrida em 8 de novembro do ano passado, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

A operação envolveu a execução de quinze mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão em locais na capital e na Grande São Paulo. A investigação revelou que os policiais militares estavam prestando escolta privada a Gritzbach, mesmo diante de seu extenso histórico criminal. Esse envolvimento é visto como indício da associação dos agentes com a organização criminosa, conforme a Lei Federal nº 12.850/13.

Além dos policiais diretamente responsáveis pela proteção de Gritzbach, outro agente é investigado por ter disparado contra ele. A operação Prodotes foi desencadeada após uma denúncia anônima, recebida em março de 2024, que levantou suspeitas sobre vazamentos de informações sigilosas que poderiam beneficiar membros do PCC.

A investigação preliminar foi conduzida pela Corregedoria e evoluiu para um Inquérito Policial Militar iniciado em outubro de 2024. As apurações indicaram que vazamentos de informações estratégicas por parte de policiais militares – incluindo os da ativa, da reserva e ex-integrantes – possibilitaram que membros do PCC evitassem detenções e perdas financeiras significativas.

Entre os principais alvos desse esquema estavam líderes e associados do PCC, alguns já falecidos e outros sob investigação judicial, como Marcos Roberto de Almeida, conhecido como "Tuta", e Silvio Luiz Ferreira, apelidado de "Cebola".

A operação conta com o apoio da Força-Tarefa criada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e eventuais mandantes das ações criminosas.

Em nota oficial, a Polícia Militar reafirmou seu compromisso com a ética e a legalidade, garantindo que tomará medidas rigorosas contra qualquer desvio de conduta que possa prejudicar a confiança da sociedade nas instituições.

"A Polícia Militar reitera seu compromisso com a ética e a legalidade, combatendo com rigor qualquer desvio de conduta que comprometa a confiança da sociedade", afirmou.

Caso Gritzbach

Vinicius Gritzbach, de 38 anos, foi assassinado em plena luz do dia, no dia 8 de novembro de 2024. O crime ocorreu diante da namorada e de diversas testemunhas na área de desembarque do aeroporto de Guarulhos. Foram disparados 29 tiros de um fuzil.

Gritzbach estava na lista negra do PCC e havia retornado recentemente de uma viagem ao Nordeste, onde passou uma semana acompanhado pela namorada e segurança particular, incluindo um policial militar.

Em uma delação reveladora, Gritzbach expôs detalhes sobre operações de lavagem de dinheiro realizadas pela facção e denunciou extorsões praticadas por policiais civis. Como resultado das investigações conduzidas pela força-tarefa, diversos policiais civis e militares envolvidos foram afastados de suas funções.

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