Após casos de intoxicação por metanol, Sindiclubes recomenda suspensão temporária da venda de destilados entre associados
William Oliveira Publicado em 01/10/2025, às 10h10
O Sindiclubes de São Paulo, entidade que representa clubes e associações sociais do estado, recomendou nesta semana a suspensão temporária da venda de bebidas alcoólicas destiladas entre seus associados. A medida preventiva foi adotada após os recentes casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas, que resultaram em mortes e internações no estado.
Entre os clubes que já aderiram à recomendação estão o Esporte Clube Pinheiros, Esporte Clube Sírio, Clube Hebraica, Athletico Paulistano, além de São Paulo, Palmeiras e Ipê Clube. Em comunicado, o Sindiclubes afirmou que a decisão visa proteger a saúde dos frequentadores e preservar a imagem das instituições:
"Recomendamos que os clubes suspendam, de forma preventiva e temporária, a venda de destilados, até que haja maior clareza sobre a origem do problema e a definição de medidas seguras para sua resolução."
A orientação vale para todos os clubes filiados, mas a adoção da suspensão fica a critério de cada instituição.
Fiscalização e apreensões
Entre os dias 29 e 30 de setembo, mais de 800 garrafas de bebidas alcoólicas foram apreendidas em operações do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania. Até agora, foram registrados 22 casos confirmados ou suspeitos de intoxicação por metanol no estado.
O governador Tarcísio de Freitas confirmou cinco mortes associadas ao consumo da substância — uma já comprovada e outras quatro em investigação.
Em Mogi das Cruzes, 80 garrafas falsificadas foram encontradas em uma adega. Já em Americana, uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) resultou na apreensão de mais de 17 mil bebidas e na prisão de duas pessoas.
No momento, a Polícia Civil apura quatro ocorrências na capital, registradas nos 16º, 48º, 57º e 78º distritos policiais. Outros quatro casos são investigados no interior e Grande São Paulo: Itu, São Bernardo do Campo (2) e Itapecerica da Serra.
Interdições de bares
No dia 30, a Polícia Civil interditou o bar Ministrão, na Alameda Lorena, bairro dos Jardins, após uma mulher de 43 anos perder a visão ao consumir vodca no local. Essa foi a primeira interdição relacionada às operações contra a venda ilegal de bebidas adulteradas.
Conhecido por almoços e happy hours, o bar foi fechado por risco iminente à saúde pública. Durante a ação, foram encontradas mais de 100 garrafas de destilados.
Segundo Manoel Bernardes de Lara, diretor do Centro de Vigilância Sanitária estadual, a medida foi tomada por precaução devido à ligação direta do local com casos suspeitos de contaminação por metanol.
Na sequência, outros estabelecimentos também foram interditados: o Torres Bar, na Mooca, e um local em São Bernardo do Campo, ainda sem nome divulgado.