Associação aponta que substância usada em bebidas adulteradas pode ser a mesma importada ilegalmente pela facção para fraudar combustíveis
Lívia Gennari Publicado em 28/09/2025, às 19h49
A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) divulgou neste domingo (28), através de nota, que suspeita que o metanol encontrado em bebidas alcoólicas adulteradas possa ser o mesmo importado de forma irregular pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para fraudar combustíveis.
De acordo com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, duas pessoas morreram por intoxicação após consumir bebidas contaminadas com a substância tóxica: uma na capital paulista e outra em São Bernardo do Campo, no ABC. Outros dez casos seguem em investigação somente na cidade de São Paulo. Ainda não há confirmação de como ocorreu a contaminação.
Relação com o crime organizado
Há um mês, o Ministério Público de São Paulo (MPSP), realizou a maior operação já feita no país contra o crime organizado. Na ação, foi constatado que postos investigados utilizavam combustíveis com até 90% de metanol, sendo que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite apenas 0,5%.
As investigações apontam que o metanol importado ilegalmente não chegava aos destinatários indicados nas notas fiscais e era transportado de forma clandestina.
Segundo a ABCF, o fechamento recente de distribuidoras ligadas ao crime organizado, que importavam o produto de forma fraudulenta pelo Porto de Paranaguá (PR), pode estar por trás da atual onda de intoxicações registradas em bares, adegas e casas noturnas.
A associação relata nunca ter recebido tantas denúncias de falsificação de bebidas como nos últimos dois anos e terá reunião com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na próxima terça-feira (30) para discutir o assunto.
Alerta para comerciantes
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) emitiu uma recomendação urgente para estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas em São Paulo e regiões próximas. O alerta pede rigor na compra, rastreabilidade e verificação de autenticidade dos produtos comercializados, especialmente em bares, restaurantes, hotéis, mercados, e-commerce e aplicativos de entrega.
A pasta reforçou que vender produtos adulterados é crime previsto no artigo 272 do Código Penal, estando sujeito a pena de reclusão de 10 a 15 anos e multa, além de configurar crime contra as relações de consumo pela Lei nº 8.137/1990.
O governo federal classificou o cenário como grave para a saúde pública, destacando que os episódios de intoxicação por metanol podem desencadear surtos com múltiplos casos graves e elevada taxa de letalidade. A situação exige ação rápida das autoridades e reforça a necessidade de alertar a população sobre os riscos do consumo de bebidas adulteradas.
Conheça os sintomas de intoxicação por metanol
O metanol é um álcool altamente tóxico, incolor e inflamável, com odor semelhante ao da bebida alcoólica comum. A ingestão mesmo em pequenas doses, inalação ou contato prolongado com a substância pode causar sérios danos a saúde e até mesmo levar à morte.
Entre os sintomas de intoxicação pelo metanol estão náusea, vômito, dor abdominal, dor de cabeça, visão turva, vertigem, tremores, convulsões e, em casos mais graves, dificuldade de coordenação motora e perda de consciência.
Em caso de suspeita de intoxicação, é imprescindível procurar atendimento médico imediato, uma vez que a rapidez do diagnóstico pode ser determinante para evitar desfechos fatais.