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Receita Federal

PCC movimentou R$ 6 bilhões com motéis e postos de gasolina, diz Receita

A Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25), revelou como o PCC usava uma rede de motéis, postos de combustíveis e franquias para lavar bilhões de reais em todo o país

Agentes da Receita Federal participam da Operação Spare - Imagem: Divulgação / Receita Federal
Agentes da Receita Federal participam da Operação Spare - Imagem: Divulgação / Receita Federal

William Oliveira Publicado em 26/09/2025, às 08h48


A Receita Federal revelou nesta quinta-feira (25) uma ampla rede criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que movimentou quase R$ 6 bilhões entre 2020 e 2024 por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. O esquema envolvia 267 postos de combustíveis, 60 motéis, 98 lojas de franquias e empreendimentos imobiliários em várias regiões do país.

Segundo as investigações, o empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, é apontado como principal beneficiário. A ação, batizada de Operação Spare, dá continuidade à Operação Carbono Oculto, que já havia exposto o uso de fintechs ligadas ao PCC para inserir recursos ilícitos no sistema financeiro formal.

Um dos mecanismos mais utilizados era o registro de motéis em nome de terceiros, facilitando a circulação do dinheiro. A superintendente da Receita Federal em São Paulo, Márcia Meng, explicou que os estabelecimentos movimentavam valores incompatíveis com as receitas declaradas:

“No caso dos motéis, eles eram, eles são um setor que habitualmente trabalham muito com o dinheiro vivo, né? E eles precisam introduzir esse dinheiro na economia”, afirmou.

Entre os bens adquiridos com recursos ilegais estão:

  • Um iate de 23 metros, inicialmente comprado por um motel e depois transferido para uma empresa fictícia;
  • Um helicóptero modelo Augusta A109E, registrado em nome de um dos investigados;
  • Um Lamborghini Urus adquirido por meio de empresa patrimonial;
  • Terrenos de motéis avaliados em mais de R$ 20 milhões.

Apenas os motéis sob investigação movimentaram mais de R$ 450 milhões no período, valor que não condizia com os registros fiscais. Segundo a Receita, os ativos identificados representam apenas 10% do patrimônio real dos envolvidos.

A apuração mostrou ainda que sócios de motéis distribuíram cerca de R$ 45 milhões em lucros e dividendos, incluindo um caso em que um único estabelecimento declarou a distribuição de 64% da receita bruta.

Durante a Operação Spare foram cumpridos 25 mandados de busca em cidades do estado de São Paulo, com participação da Receita Federal, Ministério Público Estadual e Polícia Militar. O objetivo foi desarticular as ramificações da facção nos setores de combustíveis e jogos.

Paralelamente, a Receita anunciou novas medidas de combate a fraudes na importação, após apreensões relevantes no Porto do Rio de Janeiro relacionadas ao comércio ilegal de combustíveis.


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