Nova perícia busca identificar possível envenenamento de vítima cujo exame inicial deu negativo
Gabriela Nogueira Publicado em 05/12/2025, às 16h15
A Polícia Civil de São Paulo conseguiu na Justiça autorização para exumar, na Tunísia, o corpo de Hayder Mhazres, apontado como uma das possíveis vítimas de Ana Paula Veloso Fernandes, investigada por uma série de mortes atribuídas a envenenamento em Guarulhos. O pedido ocorre após exames iniciais realizados no Brasil não identificarem substâncias tóxicas, resultado que os investigadores consideram inconclusivo.
Hayder morreu após um encontro com Ana Paula e teve amostras de sangue coletadas pelo Instituto Médico Legal antes de seu corpo ser levado pela família para ser sepultado em seu país de origem. O teste, porém, não detectou sinais de intoxicação. Para a polícia, a análise restrita ao sangue não é suficiente para descartar envenenamento, sendo essencial o exame das vísceras, que não puderam ser coletadas no Brasil devido ao traslado imediato.
A Justiça paulista avaliou que a exumação é indispensável para o avanço das investigações e acionou, por meio do Ministério das Relações Exteriores, uma cooperação internacional com a Embaixada do Brasil na Tunísia e com a Interpol. O objetivo é garantir que novas amostras sejam recolhidas com acompanhamento técnico adequado.
Informações do Tribunal de Justiça de São Paulo apontam que os resultados negativos do exame toxicológico inicial podem ter sido influenciados pelas condições da morte e pela rapidez do traslado internacional, fatores que podem comprometer a detecção de certos compostos.
Segundo o inquérito conduzido pelo 1º Distrito Policial de Guarulhos, Hayder seria a quarta e última vítima ligada a Ana Paula. As investigações do Ministério Público e da Polícia Civil indicam que ela não agia sozinha: sua irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, também é apontada como cúmplice nos crimes. Ambas seguem presas preventivamente.
Laudos preliminares do Núcleo de Toxicologia Forense confirmam que não foram encontrados tóxicos, fármacos, drogas ilícitas, pesticidas ou substâncias voláteis nas amostras de sangue analisadas. A nova perícia deve esclarecer se a ausência desses elementos ocorreu por fatores técnicos ou se Hayder realmente não foi envenenado.
Com a cooperação internacional encaminhada, o processo de exumação segue agora para execução em território tunisiano, etapa considerada crucial para a conclusão do caso que mobiliza autoridades dos dois países.