Reservatório

Cantareira se aproxima do nível mais crítico em meio a verão seco

Autoridades e população aguardam chuvas decisivas para evitar uma nova crise de abastecimento em São Paulo.

Com a falta de chuvas e o consumo elevado, Cantareira pode entrar em faixa restritiva, afetando outros mananciais - Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 08/01/2026, às 11h25

O Sistema Cantareira, maior reservatório de água da Região Metropolitana de São Paulo, voltou a operar abaixo dos 20% de sua capacidade nesta quinta-feira (8), registrando 19,9%. O patamar, igual ao verificado no início de dezembro, coloca o sistema à beira de entrar na faixa mais restritiva de operação, um cenário que especialistas temem e que pode pressionar ainda mais os demais mananciais, já combalidos.

Apesar de estarmos no auge do verão, tradicional período chuvoso, a recuperação esperada para os reservatórios não se concretizou. A vazão natural de água que chega ao Cantareira permanece alarmantemente baixa. Nos primeiros sete dias do ano, o sistema recebeu uma média de 14,53 metros cúbicos por segundo, volume que representa menos de um quinto da média histórica para janeiro e é o pior para o período desde 2015, no ápice da última grande crise hídrica.

Para evitar a ativação iminente da chamada Faixa 5 de operação, que reduz drasticamente a retirada de água para 15,5 m³/s, o Cantareira precisa alcançar o fim de janeiro com pelo menos 20% de seu volume. A situação, porém, exige uma reversão rápida: é necessário que as chuvas se intensifiquem de forma significativa e que o consumo diminua, tendência oposta à observada até agora.

Caso entre na faixa mais crítica, a limitação na retirada do Cantareira pode sobrecarregar os outros sistemas que abastecem a metrópole, como Alto Tietê e Guarapiranga, que também operam com níveis preocupantes. O Sistema Integrado Metropolitano, que soma a capacidade de todos os reservatórios, estava com apenas 26,9% nesta quarta-feira (7). No mesmo dia do ano anterior, o índice era de 49,9%, o que ilustra a severidade do momento atual.

Em meio à estiagem persistente, o Cantareira tem dependido da transposição de água do Rio Paraíba do Sul, que adiciona pouco mais de 8 m³/s ao sistema. Esta medida, autorizada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico para momentos críticos, tem sido essencial para manter o abastecimento, mas não é suficiente para garantir a recuperação dos reservatórios.

A situação atual reacende o fantasma de 2014, quando um verão extremamente seco desencadeou uma crise histórica de abastecimento. Naquela ocasião, porém, o Cantareira começou janeiro com 26,4% de sua capacidade, um patamar consideravelmente mais confortável do que o atual.

Autoridades e a população aguardam com apreensão as próximas semanas, que serão decisivas. A falta de chuvas consistentes desde o início do ano hidrológico, em outubro, transformou o que seria uma temporada de recomposição em um período de perdas contínuas, deixando claro que o desafio de garantir água para milhões de paulistas permanece crítico e urgente.

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