Trégua nas estradas

Caminhoneiros recuam de paralisação após pressão do diesel e ação do governo

Categoria decide manter diálogo enquanto medida provisória endurece fiscalização do frete e tenta conter crise

Aumento do diesel continua a ser um desafio, com caminhoneiros em estado de atenção para possíveis novas ações - Imagem: Reprodução/

Letícia Sales Publicado em 20/03/2026, às 09h09

Lideranças de caminhoneiros decidiram não realizar paralisação nacional após assembleia realizada nesta quinta-feira (19), em Santos, no litoral paulista. A decisão foi tomada depois de reuniões entre representantes de entidades do setor, que avaliaram o impacto da alta do diesel e a atual defasagem nos valores dos fretes.

Apesar do descontentamento generalizado, associações optaram por manter o diálogo com o governo e monitorar o comportamento dos preços dos combustíveis antes de adotar medidas mais drásticas. O receio de novos prejuízos à categoria, aliado à tentativa de negociação, pesou na escolha por não deflagrar uma greve neste momento.

A possibilidade de paralisação havia gerado preocupação no governo federal, especialmente pelo histórico recente de mobilizações que afetaram o abastecimento em todo o país. O cenário ganha ainda mais sensibilidade diante do contexto político e econômico atual.

Como resposta às pressões, o governo publicou uma medida provisória que endurece as regras de fiscalização do piso mínimo do frete. A nova norma exige o uso obrigatório do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) em todas as viagens, com detalhamento dos valores pagos aos caminhoneiros.

A mudança permite à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ampliar a fiscalização e até barrar operações que não respeitem o valor mínimo estabelecido. A medida já está em vigor, mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar definitiva.

Enquanto isso, o aumento do diesel segue como principal ponto de tensão para a categoria, impactando diretamente a rentabilidade dos profissionais. O setor permanece em estado de atenção, com possibilidade de novas mobilizações caso não haja avanço nas negociações.

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