Conteúdo divulgado nas redes sociais do presidente dos EUA usa imagens geradas por IA e volta a levantar acusações falsas sobre as eleições de 2020
Letícia Sales Publicado em 06/02/2026, às 12h21
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nas redes sociais um vídeo com teor racista que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, provocando forte reação de líderes e autoridades do Partido Democrata. O material foi divulgado na plataforma Truth Social e recebeu milhares de curtidas poucas horas após a publicação.
O vídeo, com cerca de um minuto de duração, apresenta uma teoria conspiratória sobre as eleições presidenciais de 2020 e repete alegações já desmentidas de que a empresa Dominion Voting Systems teria fraudado a votação que resultou na derrota de Trump. Ao final da gravação, por aproximadamente um segundo, os rostos dos Obamas aparecem sobrepostos aos corpos de macacos, ao som da música “The Lion Sleeps Tonight”.
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou a publicação como “comportamento repugnante” e cobrou uma manifestação pública de repúdio por parte dos republicanos. Newsom é apontado como um dos possíveis candidatos democratas à Presidência em 2028 e tem sido um dos críticos mais vocais de Trump.
Aliados de Barack Obama também reagiram. Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional, afirmou que o episódio reforça o caráter racista de Trump e de seus apoiadores, destacando que o ex-presidente democrata será lembrado de forma positiva pela história.
A Casa Branca, por sua vez, minimizou as críticas. Em nota, a secretária de Imprensa Karoline Leavitt afirmou que se trata de um “meme da internet” e acusou os opositores de promoverem uma “indignação falsa”.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem intensificado o uso de conteúdos gerados por Inteligência Artificial para atacar adversários políticos e mobilizar sua base conservadora. No passado, ele já compartilhou vídeos e imagens falsas envolvendo líderes democratas negros, que também foram alvo de acusações de racismo.
O episódio ocorre em meio à agenda do governo contra políticas de diversidade, equidade e inclusão. Uma das primeiras medidas da nova gestão foi o encerramento de programas federais de DEI, além da retirada de livros sobre discriminação racial de bibliotecas de academias militares — decisões que ampliaram o embate político e ideológico no país.