Em entrevista à CNN, presidente dos Estados Unidos afirmou que governo cubano estaria disposto a negociar e indicou que o secretário de Estado poderá conduzir conversas sobre o futuro da ilha.
Ana Beatriz Publicado em 06/03/2026, às 14h31
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que Cuba “vai cair muito em breve”, durante entrevista por telefone à jornalista Dana Bash, da CNN. A declaração foi feita enquanto o republicano comentava o cenário internacional e os resultados das operações militares conduzidas por seu governo no segundo mandato.
Segundo Trump, o governo cubano estaria interessado em negociar com Washington. “Cuba vai cair muito em breve. Eles querem muito fechar um acordo”, afirmou o presidente, indicando que o secretário de Estado, Marco Rubio, poderá assumir papel central em eventuais negociações diplomáticas com o país caribenho.
O presidente também disse que acompanha a situação cubana há décadas e sugeriu que o momento atual pode abrir caminho para mudanças políticas na ilha. “Tenho observado isso por 50 anos. Agora caiu no meu colo e estamos indo muito bem”, declarou.
Contexto internacional e prioridades da Casa Branca
A fala de Trump ocorre em meio a um período de forte tensão geopolítica e reconfiguração da política externa norte-americana. Nos últimos dias, o presidente indicou que a prioridade imediata de seu governo continua sendo o conflito envolvendo o Irã, mas sinalizou que Cuba pode se tornar o próximo foco estratégico de Washington após o desfecho dessa crise.
Nos bastidores da política internacional, autoridades norte-americanas têm sugerido que mudanças no cenário latino-americano podem ocorrer diante da crise econômica e energética enfrentada por Cuba. A ilha passa por dificuldades agravadas pela redução do apoio externo e por sanções econômicas, o que tem gerado escassez de combustível, alimentos e eletricidade.
Crise econômica e pressão internacional
Analistas apontam que o país enfrenta uma grave crise econômica e energética em 2026, agravada após a interrupção do envio de petróleo venezuelano — consequência de mudanças políticas na Venezuela e de medidas adotadas pelos Estados Unidos. A falta de combustível e a dependência de importações energéticas pressionam ainda mais a economia cubana.
O cenário também tem sido marcado por aumento das tensões diplomáticas entre Havana e Washington. O governo cubano já afirmou anteriormente que não mantém negociações políticas diretas com os Estados Unidos além de temas técnicos, como questões migratórias, e defende a soberania do país diante de pressões externas.
Possível mudança no equilíbrio regional
Especialistas avaliam que as declarações de Trump indicam uma possível estratégia de pressão política para estimular mudanças internas em Cuba ou forçar um novo modelo de negociação entre os dois países, cuja relação é historicamente marcada por tensões desde a Revolução Cubana de 1959.
Se confirmadas, eventuais negociações poderiam representar uma das mudanças mais significativas nas relações entre Estados Unidos e Cuba nas últimas décadas, com impacto direto na política da América Latina e na comunidade cubano-americana nos EUA.