Guerra

Tragédia em Gaza: ataque aéreo israelense mata nove filhos de casal de médicos

Enquanto atendia pacientes no hospital, pediatra recebe corpos dos próprios filhos após bombardeio em Khan Younis

Residência da família al-Najjar em chamas após ataque aéreo israelense que matou nove crianças em Khan Younis, Gaza - Imagem: Reprodução/Twitter/X

Manoela Cardozo Publicado em 25/05/2025, às 11h45

Na sexta-feira (23), um ataque aéreo israelense devastou a cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, resultando na morte de nove dos dez filhos de um casal de médicos locais. As crianças, com idades entre sete meses e 12 anos, estavam em casa quando o imóvel foi atingido. O pai, Dr. Hamdi al-Najjar, também ficou gravemente ferido e permanece internado em estado crítico. A mãe, Dra. Alaa al-Najjar, pediatra do Hospital Nasser, estava de plantão no momento do ataque.

As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, e confirmadas por fontes hospitalares e jornalistas internacionais. Segundo Mahmud Bassal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza, os corpos das nove crianças foram retirados dos escombros da residência da família al-Najjar, alguns deles carbonizados. Imagens verificadas pela BBC mostram o resgate dos corpos em meio aos destroços. De acordo com o jornal britânico The Guardian, colegas de trabalho relataram que tanto Alaa quanto Hamdi não tinham vínculos políticos ou militares.

A Dra. Alaa al-Najjar recebeu os corpos de seus filhos no hospital onde trabalha. Ahmad al-Farra, chefe do departamento de pediatria do Hospital Nasser, relatou à Associated Press que ela estava de plantão quando correu para casa e encontrou o local em chamas. Muneer Alboursh, diretor-geral do Ministério da Saúde em Gaza, afirmou no X (antigo Twitter) que o ataque ocorreu pouco depois que Hamdi a levou ao trabalho: “Poucos minutos depois de voltar para casa, um míssil atingiu a casa deles”, disse, acrescentando que o pai estava “em tratamento intensivo” no hospital.

O Exército de Israel declarou que o ataque teve como alvo suspeitos que operavam em uma estrutura próxima a militares israelenses e descreveu a área de Khan Younis como uma “perigosa zona de guerra”. A nota afirmou que os civis foram retirados da área antes do ataque e que “a alegação sobre danos a civis não envolvidos está sendo analisada”.

Graeme Groom, cirurgião britânico voluntário no Hospital Nasser, atendeu o filho sobrevivente do casal, Adam, de 11 anos. Ele relatou ao The Guardian: “O último paciente da minha lista hoje era um menino de 11 anos que parecia muito mais jovem quando o colocamos na mesa de operação. Seus ferimentos eram graves, mas o contexto era ainda pior. Seu pai estava muito ferido e nove de seus irmãos e irmãs foram mortos”. Groom acrescentou: “É inimaginável. O pai é médico aqui no Hospital Nasser. Perguntamos sobre ele e não há conexões políticas ou militares... é um dia particularmente triste”.

Dr. Victoria Rose, que também atua como voluntária no hospital, recebeu um vídeo do resgate: “O vídeo mostra todas as crianças sendo retiradas do fogo e estão absolutamente carbonizadas. É tão horrível”, disse.

Em resposta ao ataque, Youssef al-Najjar, parente das vítimas, clamou à Agence France-Presse: “Basta! Tenham piedade de nós! Imploramos a todos os países, à comunidade internacional, ao povo, ao Hamas e a todas as facções que tenham piedade de nós. Estamos exaustos do deslocamento e da fome, basta!”.

O Ministério da Saúde de Gaza informou que, nas 24 horas anteriores à tarde de sábado (24), pelo menos 79 pessoas morreram em ataques na região. A ofensiva israelense continua, com mais de 100 alvos atingidos em toda a Faixa de Gaza, agravando a crise humanitária e aumentando as preocupações internacionais sobre a segurança dos civis e o acesso a ajuda humanitária.

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