Arthur Delaporte destaca que TikTok colocou em risco a saúde de jovens, encaminhando o caso ao Ministério Público de Paris
Gabriela Nogueira Publicado em 11/09/2025, às 16h38
No cenário atual da tecnologia e do bem-estar juvenil, o deputado francês Arthur Delaporte, presidente de um comitê parlamentar, anunciou nesta quinta-feira (11) a solicitação de uma investigação criminal em relação ao TikTok. O foco da apuração é a possível responsabilidade da plataforma em colocar em risco a vida de seus jovens usuários.
O comitê, estabelecido em março, divulgou suas conclusões e recomendações. Delaporte destacou: "A conclusão é clara: o TikTok colocou deliberadamente em risco a saúde e a vida de seus usuários. Por isso, encaminhei o caso ao Ministério Público de Paris". O deputado ressaltou que, durante uma audiência com representantes da plataforma, os executivos afirmaram não ter conhecimento sobre os problemas relatados, o que ele considera um possível ato de perjúrio.
A responsabilidade agora recai sobre o Ministério Público, que decidirá se dará seguimento à investigação. Em resposta às alegações, um porta-voz do TikTok negou as acusações, afirmando que a empresa não deve ser vista como um "bode expiatório" para questões mais amplas que envolvem a sociedade e outras empresas do setor. Ele ainda enfatizou que a plataforma possui políticas rigorosas para garantir a segurança e o bem-estar dos adolescentes e suas famílias.
A investigação foi impulsionada por um processo judicial iniciado em 2024 por sete famílias, que acusaram o TikTok de expor seus filhos a conteúdos prejudiciais que poderiam levar ao suicídio. As recomendações do comitê incluem a proibição do uso de redes sociais por crianças menores de 15 anos e a implementação de um toque de recolher noturno obrigatório para jovens entre 15 e 18 anos, limitando o acesso às plataformas das 22h às 8h.
As redes sociais enfrentam crescentes críticas globalmente, com diversas nações, incluindo Austrália e países europeus, considerando medidas para restringir o uso dessas plataformas por crianças. O presidente francês Emmanuel Macron manifestou seu apoio à regulamentação na União Europeia visando proibir mídias sociais para menores de 15 anos após incidentes trágicos relacionados ao uso dessas tecnologias nas escolas.