Chuvas intensas atingiram regiões desérticas do norte do país, provocando enchentes, destruição de moradias e a decretação de estado de catástrofe pelo governo chileno
Julio Cezar Souza Publicado em 21/07/2026, às 08h28
Pelo menos 10 pessoas morreram e mais de 100 mil ficaram isoladas após um forte temporal atingir diferentes regiões do Chile. O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (20) pelas autoridades do país, que decretaram estado de catástrofe e mobilizaram as Forças Armadas para reforçar as operações de resgate e assistência às vítimas.
As chuvas, que começaram no sul do território chileno no último dia 15, avançaram para o norte e atingiram com maior intensidade as regiões de Coquimbo e Atacama, áreas conhecidas pelo clima desértico e onde eventos desse tipo são considerados incomuns.
Segundo o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred), além das mortes, quatro pessoas seguem desaparecidas e outras 17 ficaram feridas.
Os danos também atingiram milhares de famílias. De acordo com o levantamento oficial, cerca de 2.200 residências foram destruídas ou sofreram danos estruturais, aproximadamente 2.400 pessoas ficaram desalojadas e mais de 100 mil permanecem isoladas devido ao bloqueio de estradas causado pelo transbordamento de rios.
O governador da região de Coquimbo, Cristóbal Juliá, descreveu um cenário de destruição provocado pelas enchentes.
"Há bairros cobertos de lama, áreas completamente alagadas e moradores que perderam suas casas e seus pertences", afirmou. Segundo ele, o último episódio semelhante havia sido registrado em 1997, mas a intensidade das chuvas atuais foi ainda maior.
Diante da situação, o presidente José Antonio Kast decretou estado de catástrofe na região, medida que permite ampliar o envio de ajuda, mobilizar militares e restringir a circulação em áreas afetadas.
Fenômeno é considerado excepcional
As autoridades classificaram a tempestade como um evento climático fora dos padrões históricos da região.
Segundo o vice-ministro do Interior, Máximo Pavez, em algumas localidades o volume de chuva registrado em apenas uma hora correspondeu ao esperado para um mês inteiro.
Especialistas da Direção Meteorológica do Chile afirmaram que o país não enfrentava uma tempestade com essa extensão e intensidade havia cerca de duas décadas.
Os impactos também atingiram os serviços essenciais. O fornecimento de água potável foi interrompido em diversas áreas de Coquimbo, enquanto aproximadamente 150 mil consumidores permaneciam sem energia elétrica, segundo o Ministério da Energia.
A concessionária responsável pelo abastecimento de água informou que parte da infraestrutura foi danificada e que algumas instalações precisaram ser evacuadas por questões de segurança.
As condições meteorológicas também afetaram a atividade portuária. Em razão das ondas intensas e de rajadas de vento que ultrapassaram 100 km/h, dezenas de portos chilenos restringiram suas operações preventivamente ao longo da última semana.