Washington

Segunda era Trump começa com perdões, tarifas e planos para redes sociais

A nova administração de Trump pode afetar diretamente o Brasil com tarifas comerciais e mudanças na política ambiental

Donald Trump. - Imagem: Divulgação / Alan Santos/PR

Marina Milani Publicado em 20/01/2025, às 14h25

Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos hoje (20), estabelecendo novos marcos ao iniciar seu segundo mandato. A equipe do republicano já se prepara para uma série de mais de cem medidas que devem ser assinadas logo após a posse.

Devido ao volume considerável de assinaturas esperadas, o cerimonial cogitou criar uma mesa específica para Trump no Capitólio, embora a previsão mais realista seja que ele opte por despachar diretamente do Salão Oval.

Dentre as ações planejadas, algumas foram divulgadas durante sua campanha eleitoral, como a concessão de perdões a indivíduos condenados pela invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Também se espera que Trump reestabeleça atos de sua primeira posse, incluindo a retirada dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris.

Embora algumas medidas tenham sido previamente anunciadas, a implementação delas ainda é incerta. Entre elas estão tarifas de 25% sobre produtos importados do México e Canadá. Além disso, há propostas que poderão impactar diretamente o Brasil, embora os auxiliares de Trump não possam precisar quando essas ações serão efetivadas.

A BBC News Brasil listou algumas das potenciais medidas que poderiam afetar o país: novas tarifas comerciais, deportações de imigrantes, pressões políticas sobre o Supremo Tribunal Federal brasileiro e alterações na política ambiental global que influenciam diretamente a Amazônia.

As tarifas são vistas como um dos principais instrumentos da política econômica de Trump. O ex-presidente chegou a declarar que tarifa é "a palavra mais bonita do dicionário" para ele. A magnitude das novas tarifas e seu direcionamento específico ao Brasil permanecem indefinidos; contudo, o simples anúncio desse plano já está causando repercussões na economia global.

A valorização do dólar tem sido notável desde sua vitória nas eleições, resultando em significativa volatilidade cambial, com o real se desvalorizando em relação à moeda americana. Analistas acreditam que esse fortalecimento do dólar continuará, especialmente enquanto persistirem incertezas acerca das tarifas.

O Eurasia Group indicou em dezembro que as ações do governo Trump são cruciais para moldar a segunda metade da administração Lula no Brasil. Um cenário global favorável pode beneficiar o país, mas promessas não cumpridas sobre comércio e imigração por parte de Trump poderiam dificultar a situação econômica brasileira.

Diplomatas brasileiros inicialmente acreditavam que o Brasil não seria um alvo prioritário das novas tarifas devido à ausência de um acordo de livre comércio com os EUA e ao déficit comercial existente entre os dois países. No entanto, as tensões geopolíticas envolvendo os Brics – bloco composto por Brasil, Rússia, Índia e China – geram preocupações adicionais.

Recentemente, Trump anunciou sua intenção de estabelecer tarifas de 100% sobre produtos provenientes dos países dos Brics caso eles tentem criar uma nova moeda conjunta ou apoiem moedas alternativas ao dólar americano. Essa medida poderia gerar desafios significativos para as exportações brasileiras.

No campo da imigração, Trump prometeu implementar as maiores deportações da história recente dos EUA. Embora tenha nomeado Stephen Miller para liderar essa iniciativa, as autoridades ligadas ao novo governo afirmam que os brasileiros não serão alvos prioritários para deportação.

Com base em dados do Instituto Pew Research, estima-se que cerca de 230 mil brasileiros estejam entre os imigrantes indocumentados nos EUA, mas apenas uma fração desses poderá ser alvo imediato das ações de deportação propostas pelo governo Trump.

Os efeitos da migração em massa podem provocar consequências econômicas na América Latina, especialmente em regiões como Governador Valadares (MG), onde muitos cidadãos dependem das remessas enviadas por parentes nos EUA.

A regulação das redes sociais também é uma área suscetível a mudanças sob a nova administração. Com aliados como Elon Musk e Mark Zuckerberg assumindo papéis significativos no cenário tecnológico americano, espera-se um movimento em direção à desregulamentação nesse setor.

Esse cenário pode intensificar as pressões sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro em relação às decisões tomadas para combater notícias falsas nas redes sociais.

Trump também deve ignorar compromissos ambientais estabelecidos por sua administração anterior e pelo governo Biden. A falta de interesse na preservação ambiental pode limitar oportunidades de cooperação entre Brasil e EUA em áreas como energias renováveis e conservação da Amazônia.

Ainda assim, especialistas sugerem que há espaço para diálogos pragmáticos sobre energia entre os dois países, considerando seus interesses mútuos em fontes renováveis.

A administração Biden tinha promovido ações para desestimular autoritarismos na América Latina; no entanto, essa abordagem pode mudar sob Trump. Observadores apontam que isso poderia facilitar uma ascensão ainda maior de tendências autocráticas na região.

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