O cardeal Kevin Joseph Farrell assume um papel vital na administração do Vaticano, liderando a organização do funeral e a preparação para o conclave que escolherá o novo pontífice
William Oliveira Publicado em 22/04/2025, às 13h05
Com a recente morte do Papa Francisco, o cardeal Kevin Joseph Farrell, de 77 anos, assume um papel essencial na administração do Vaticano. Designado camerlengo desde 2019, ele é responsável pela organização do funeral do pontífice falecido e pelo planejamento do conclave que elegerá o próximo líder da Igreja Católica.
O período entre a morte de um papa e a eleição de seu sucessor é conhecido como Sé Vacante. Durante esse intervalo, um membro do colégio cardinalício é encarregado de governar a Santa Sé. Farrell, que também é prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, foi escolhido por Francisco para ocupar esse cargo de confiança, refletindo a visão do pontífice de uma administração pastoral voltada para os leigos.
Segundo Filipe Domingues, vaticanista e professor da Pontifícia Universidade Gregoriana, Farrell é reconhecido por sua habilidade administrativa e discrição. "Ele é o responsável por conduzir a Igreja no período de Sé Vacante, mas com poderes limitados. Não pode tomar grandes decisões", afirma Domingues. Essa competência fez com que o Papa Francisco confiasse a ele responsabilidades tão significativas durante este período delicado.
A trajetória de Farrell demonstra um alinhamento claro com as ideias de Francisco. Nascido em Dublin e educado em instituições renomadas na Espanha, Roma e Estados Unidos, Farrell tem uma carreira marcada pela experiência internacional. Desde sua ordenação em 1978 até sua ascensão ao status de cardeal em 2016, ele sempre se destacou pela capacidade de gerir e resolver questões complexas.
Como camerlengo, suas responsabilidades incluem anunciar oficialmente a morte do papa após uma verificação formal e conduzir rituais que marcam o fim do pontificado, como a destruição do anel do pescador. Essas ações são fundamentais para garantir a continuidade das operações do Vaticano até que um novo papa seja eleito.
Embora Farrell atue como chefe de Estado do Vaticano durante a Sé Vacante, suas decisões são limitadas ao âmbito administrativo; questões teológicas e religiosas ficam suspensas até a eleição do novo pontífice. Domingues destaca que sua principal função neste momento é supervisionar os preparativos para o funeral e o conclave.
Embora o cardeal tenha sido apontado como uma figura importante durante o processo de transição, especialistas consideram remota a possibilidade de Farrell ser eleito papa. Sua idade avançada e a sua experiência predominantemente americana podem prejudicar sua aceitação entre os cardeais.
Como afirma Moraes: "Lógico que os holofotes estão sobre ele. Mas a escolha de um papa passa por outras questões. E mesmo a figura do camerlengo, é uma função mais administrativa, uma função de organização mesmo. É bastante imprevisível que ele ganhe destaque [a ponto de se tornar papável].