Meio Ambiente

Relatório global alerta para mortes relacionadas ao calor e incêndios florestais

Com a COP30 em Belém, Brasil tem chance de se destacar em ações de adaptação e mitigação das mudanças climáticas

Com a COP30 em Belém, Brasil tem chance de se destacar em ações de adaptação e mitigação das mudanças climáticas - Imagem: Reprodução / Fernando Frazão / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 29/10/2025, às 14h50

Um estudo recente revela que aproximadamente 546 mil pessoas perdem a vida anualmente em decorrência do calor extremo. Em 2024, mais 154 mil mortes foram atribuídas à fumaça gerada por incêndios florestais. Esses dados alarmantes foram destacados no relatório "Contagem Regressiva em Saúde e Mudanças Climáticas", elaborado por uma equipe de mais de cem cientistas internacionais, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e publicado na revista The Lancet.

O relatório foi divulgado nesta quinta-feira, na Inglaterra, em um momento crucial, já que se aproxima a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), programada para começar no dia 10 de novembro em Belém, no estado do Pará. Os autores do documento pedem ações decisivas para reduzir o uso de combustíveis fósseis e as emissões de gases de efeito estufa, além de sugerir adaptações que minimizem os impactos sobre a saúde da população.

Os especialistas alertam que "com o aumento dos efeitos das mudanças climáticas, a saúde e a vida dos 8 bilhões de habitantes do planeta estão sob grave ameaça".

O relatório destaca que 2024 foi o ano mais quente já registrado, resultando em que 12 dos 20 indicadores monitorados sobre riscos à saúde relacionados ao clima atingissem níveis recordes. Entre 2020 e 2024, a média de exposição da população a ondas de calor foi de 19 dias por ano, dos quais 16 não teriam ocorrido sem a influência do aquecimento global.

Dados do Brasil e América Latina

A publicação também apresenta dados relevantes sobre o Brasil. Entre 2020 e 2024, cerca de 7.700 mortes anuais foram associadas à fumaça proveniente dos incêndios florestais. Além disso, estima-se que o país registrou cerca de 3.600 óbitos anuais relacionados ao calor no período de 2012 a 2021. Os pesquisadores calcularam ainda que os brasileiros enfrentaram uma média de 15,6 dias de onda de calor, sendo que 94% desses dias não teriam ocorrido sem as mudanças climáticas.

O relatório também revela que a proporção de terras afetadas por seca extrema aumentou significativamente, atingindo 72% entre 2020 e 2024, quase dez vezes mais do que nos anos 50 e 60.

Uma análise específica sobre a América Latina indica que a temperatura média da região tem aumentado continuamente desde os anos 2000, alcançando um pico histórico de 24,3 graus Celsius (°C) em 2024. Esse aumento contribuiu para cerca de 13 mil mortes relacionadas ao calor por ano.

Ainda assim, o relatório expressa otimismo quanto às negociações internacionais, sublinhando que "construir um futuro resiliente requer uma transformação fundamental em nossos sistemas energéticos e uma redução drástica na dependência de combustíveis fósseis".

A publicação enfatiza que a adaptação às mudanças climáticas "não é mais uma opção, mas uma necessidade essencial", visando reduzir riscos climáticos e aumentar a resiliência social enquanto enfrenta desigualdades socioeconômicas preexistentes.

Com a proximidade da COP30 em Belém, o Brasil é visto como um potencial líder nesse cenário, apresentando uma oportunidade única para implementar ações voltadas à adaptação e mitigação das mudanças climáticas, priorizando assim a saúde pública e promovendo o desenvolvimento sustentável em benefício de toda a população.

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