O relatório destaca a urgência de ações contra a economia israelense baseada na ocupação e no apartheid
Gabriela Thier Publicado em 02/07/2025, às 15h07
Na próxima semana, Francesca Albanese, relatora especial da ONU para a Situação dos Direitos Humanos na Palestina, apresentará seu novo relatório intitulado "Da Economia da Ocupação à Economia do Genocídio" durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. O documento traz sérias alegações de que as operações de Israel em Gaza configuram um "genocídio" e que essa situação tem gerado lucros substanciais para diversas corporações multinacionais, especialmente nos setores de tecnologia, finanças e armamentos.
O relatório menciona especificamente mais de 60 empresas, incluindo gigantes como Microsoft, Alphabet Inc. e Amazon, destacando seu envolvimento com a expansão de assentamentos judaicos e com ações militares em território palestino. Albanese classifica essas atividades como parte de uma "campanha genocida", evidenciando a responsabilidade das empresas em relação à situação dos direitos humanos na região.
Dentre as empresas citadas, estão também a Caterpillar Inc. e a HD Hyundai, cujos produtos têm sido utilizados para demolir propriedades palestinas. A relatora clama pela interrupção das relações comerciais com Israel por parte dessas entidades, além de exigir que seus líderes sejam responsabilizados por possíveis violações do direito internacional.
No documento, é destacado que "enquanto políticos e governos hesitam em agir, muitas corporações têm se beneficiado da economia israelense fundamentada na ocupação ilegal e no apartheid", ressaltando a urgência em responsabilizar tais entidades pelo seu papel no conflito.
Albanese enfatiza que "a autodeterminação e a própria existência de um povo estão em risco", sublinhando a necessidade premente de tomar medidas para pôr fim ao genocídio e desmantelar os sistemas globais que permitem sua perpetuação. O relatório, com 27 páginas, argumenta que a responsabilização das empresas é um passo essencial para enfrentar essa crise.
Recentemente, Francesca Albanese compartilhou detalhes sobre seu relatório por meio da plataforma X, onde afirmou: "Isso não é o negócio habitual. Meu novo relatório da ONU revela como as corporações têm alimentado e legitimado a destruição da Palestina. O genocídio é lucrativo, mas isso não pode continuar; precisamos de responsabilização".
Além disso, Albanese alerta que "a cumplicidade revelada no relatório é apenas a ponta do iceberg", fundamentando suas afirmações em mais de 200 contribuições coletadas de Estados, defensores dos direitos humanos e acadêmicos.
Reconhecida como uma das vozes mais críticas em relação à ofensiva israelense contra Gaza, Albanese foi pioneira ao caracterizar as ações de Israel como genocídio. Em resposta às suas declarações contundentes, os Estados Unidos solicitaram ao secretário-geral da ONU que a removesse do cargo de relatora especial, alegando "má conduta" e contestando suas afirmações sobre genocídio e apartheid como sendo "falsas e ofensivas".