Gaza

Presidente Lula recebe carta pedindo a sanções contra Israel durante visita a Paris

A carta, apoiada por artistas e juristas, exige rompimento de relações diplomáticas e comerciais com Israel

A carta, apoiada por artistas e juristas, exige rompimento de relações diplomáticas e comerciais com Israel - Imagem: Reprodução / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 06/06/2025, às 14h32

Em sua recente visita oficial a Paris, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu uma carta significativa, assinada por mais de 12 mil cidadãos brasileiros, clamando por ações decisivas do governo federal em resposta à ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza.

A iniciativa, coordenada pelo movimento BDS Brasil (Boicote, Desinvestimento e Sanções), exige que o Brasil tome medidas firmes e imediatas, incluindo o rompimento das relações diplomáticas e comerciais com Israel, a suspensão do acordo de livre comércio atualmente em vigor entre os dois países, além de um embargo militar e energético. Essa mobilização tem ganhado destaque no cenário político e social, contando com o apoio de figuras influentes nas áreas da cultura, direito e política.

Entre os apoiadores da carta estão renomados artistas como Chico Buarque, Ney Matogrosso e Letícia Sabatella. A lista também inclui juristas respeitados, como Carol Proner e Paulo Sérgio Pinheiro, além de personalidades como Guilherme Estrella e o filósofo Vladimir Safatle. Vários parlamentares dos partidos PT e Psol, incluindo Guilherme Boulos, Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Luiza Erundina e João Daniel, manifestaram apoio ao apelo por sanções.

O documento conta com o respaldo de organizações civis proeminentes, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a CSP-Conlutas, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), o Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal) e o coletivo Vozes Judaicas por Libertação. Esses grupos programaram um ato público para o dia 15 de junho, às 11h, em São Paulo, com a intenção de pressionar o Executivo federal por uma mudança significativa em sua postura.

A carta expressa apoio aos posicionamentos anteriores de Lula em solidariedade ao povo palestino, mas enfatiza que é imperativo ir além das declarações. Os autores reconhecem: "Seus pronunciamentos têm sido firmes e coerentes", mas afirmam que agora é o momento para que o Brasil se posicione em conformidade com as obrigações do direito internacional.

O documento também menciona que em julho de 2024 a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ressaltou a responsabilidade de Estados terceiros em adotar medidas práticas frente à conduta de Israel. Além disso, refere-se à resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU em setembro do mesmo ano, da qual o Brasil fez parte.

Os signatários destacam que mesmo após essas deliberações internacionais, o Brasil continua a exportar petróleo e negociar equipamentos militares com empresas israelenses. Por esse motivo, pedem que o governo cancele acordos existentes, especialmente o tratado de livre comércio, alinhando-se às recomendações de especialistas da ONU que sugerem romper relações econômicas e comerciais com Israel enquanto perdurar a ocupação e as violações dos direitos humanos.

A carta conclui afirmando que "é essencial que o Brasil se una às nações que já impuseram sanções ao regime israelense". O documento permanece aberto para novas adesões da sociedade civil brasileira e de entidades internacionais. Segundo os organizadores da mobilização, a ação do presidente Lula pode estabelecer um precedente global e impulsionar uma pressão internacional que vise acabar com os conflitos em Gaza.

Lula ONU Palestina França Paris ISRAEL Faixa de Gaza Crise Humanitária BDS Sansão

Leia também