Movimentação estratégica em uma das regiões mais sensíveis do mundo mudou o cenário e derrubou as cotações
Manoela Cardozo Publicado em 27/06/2026, às 10h00
Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda na última sexta-feira (26), ampliando as perdas acumuladas ao longo da semana. A desvalorização ocorreu após sinais de normalização no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, reduzindo as preocupações do mercado com possíveis interrupções no abastecimento global.
Investidores acompanharam a retomada do fluxo de petroleiros pela região, considerada uma das principais rotas para o comércio mundial de petróleo. A movimentação trouxe mais confiança de que a oferta continuará chegando aos mercados internacionais.
Para especialistas, o receio de uma escassez imediata perdeu força nos últimos dias, principalmente após o avanço das negociações envolvendo um cessar-fogo temporário no conflito da região.
“Há uma sensação crescente de que o petróleo continuará circulando pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Phil Flynn, analista sênior da Price Futures Group.
Outro fator que aumentou a pressão sobre os preços foi a expectativa de excesso de oferta nos próximos meses.
“A visão predominante, ao que parece, continua sendo a de um excesso de oferta iminente”, avaliou Tamas Varga, analista da PVM.
Flynn reforçou essa percepção ao afirmar que o mercado pode enfrentar um aumento significativo da disponibilidade da commodity.
“Teremos uma enxurrada de petróleo. Acho que veremos uma enorme enxurrada de produtos”, declarou.
O cenário também ganhou força após a Saudi Aramco retomar as operações de carregamento de petróleo em um de seus principais terminais no Golfo, depois de meses de paralisação. Grandes navios voltaram a embarcar milhões de barris, sinalizando uma ampliação da oferta internacional.
Além disso, analistas apontam que a demanda chinesa ainda segue abaixo das expectativas, fator que contribui para aumentar a pressão sobre as cotações.
“Há uma onda geral de vendas, já que o mercado reage ao aumento dos fluxos saindo do Estreito de Ormuz e ao fato de a China ainda não ter retomado a demanda por petróleo”, explicou June Goh, analista sênior da Sparta Commodities.
Com o aumento da oferta e a demanda ainda considerada fraca, o mercado continua acompanhando os próximos movimentos que podem definir o comportamento dos preços nas próximas semanas.