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Partido de direita registra recorde de votos em eleições antecipadas de Portugal

Cidadãos expressam preocupações sobre o crescimento do Chega e suas implicações para a democracia

Cidadãos expressam preocupações sobre o crescimento do Chega e suas implicações para a democracia - Imagem: Reprodução / X / @goncalo_afss

Gabriela Thier Publicado em 19/05/2025, às 17h19

No último domingo (18), o ‘Chega’, partido de extrema direita em Portugal, alcançou um marco ao obter um número recorde de votos nas eleições antecipadas. A disputa pelo papel de principal partido de oposição intensificou-se, especialmente após a Aliança Democrática (AD), alinhada ao centro-direita, não conseguir a maioria necessária para sanar a prolongada instabilidade política no país.

Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder da AD, declarou que os resultados eleitorais representaram um voto de confiança em sua liderança. Contudo, com os votos provenientes do exterior ainda por contabilizar, existe a possibilidade de o Chega ultrapassar o Partido Socialista, que representa a centro-esquerda, assumindo assim a posição de liderança na oposição e rompendo com uma tradição política de cinco décadas dominada por dois partidos principais.

Em um discurso vibrante para seus apoiadores em Lisboa, André Ventura, líder do Chega e fundador do partido há apenas seis anos, proclamou: "Conseguimos o que nenhum outro partido conseguiu em Portugal. Hoje, podemos afirmar com segurança que o bipartidarismo chegou ao fim". Ele enfatizou que a contínua ascensão do Chega desafiou as previsões feitas por diversas pesquisas de opinião.

O partido Chega conquistou mais oito cadeiras no Parlamento, totalizando 58 em um conjunto de 230 assentos. O resultado foi expressivo: 1,34 milhão de votos, correspondendo a 22,6% do total.

Por outro lado, Montenegro viu sua AD ganhar 89 cadeiras — um aumento de nove em relação ao pleito anterior — com 32,1% dos votos. Apesar disso, ele descartou qualquer possibilidade de coalizão com o Chega e optou por formar um novo governo minoritário.

O Chega estabeleceu alianças com partidos europeus também de extrema direita e anti-imigração, como o Reunião Nacional da França e o AfD da Alemanha. Entre suas propostas estão penas mais severas para criminosos e a revogação da política de imigração aberta. Além disso, o partido criticou os partidos tradicionais por promoverem práticas corruptas.

A persistência da instabilidade política pode comprometer reformas estruturais essenciais e projetos significativos em Portugal. Questões como a exploração mineral de lítio no norte do país e a aplicação eficaz dos fundos da União Europeia podem sofrer consequências negativas. Ademais, o tão aguardado processo de privatização da companhia aérea TAP permanece indefinido.

Esta eleição foi a terceira realizada em três anos e ocorreu um ano após o início do governo minoritário da AD. Montenegro não conseguiu garantir um voto de confiança em março passado devido a questionamentos sobre sua integridade relacionados às negociações envolvendo uma empresa de consultoria ligada à sua família; ele negou qualquer irregularidade.

Montenegro expressou a insatisfação popular com as eleições antecipadas, afirmando: "Os portugueses desejam uma legislatura estável de quatro anos". Enquanto isso, seus apoiadores repetiam o slogan da campanha: "Deixem Luís trabalhar". 

O partido opositor viu seu número de cadeiras reduzir de 78 para 58, levando o líder Pedro Nuno Santos a anunciar sua intenção de renunciar ao cargo.

Em Lisboa, muitos cidadãos expressaram preocupações sobre as implicações do crescimento do Chega para a democracia em Portugal. Alguns cidadãos chegaram a comparar as ações do partido com aquelas observadas sob a administração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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