Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda confirmam operações de evacuação do MV Hondius enquanto autoridades espanholas e OMS coordenam resposta internacional após mortes e casos confirmados da doença.
Ana Beatriz Publicado em 09/05/2026, às 12h11
Uma operação internacional de emergência foi montada neste sábado (9) para retirar passageiros e tripulantes do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus que já provocou ao menos três mortes e colocou autoridades sanitárias de diversos países em alerta.
Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda confirmaram o envio de aeronaves para repatriar seus cidadãos após a chegada do navio ao Porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha. A previsão é de que a embarcação chegue entre 4h e 6h da manhã deste domingo, no horário local, equivalente a 0h e 2h no horário de Brasília.
As informações foram confirmadas pelo ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, e pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García, que acompanham a operação ao lado da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O surto transformou o MV Hondius em centro de uma mobilização sanitária global. O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, em uma rota de expedição polar pelo Atlântico Sul. Desde então, passageiros começaram a apresentar sintomas respiratórios graves ligados ao hantavírus, especialmente à cepa Andes, considerada a única variante conhecida com possibilidade de transmissão entre humanos.
Segundo a OMS, há ao menos seis casos confirmados e oito suspeitos relacionados ao cruzeiro, além de três mortes registradas até o momento. Entre as vítimas estão um casal holandês e um passageiro alemão.
As autoridades espanholas afirmaram que o desembarque será extremamente controlado. O navio não deverá atracar diretamente no porto para evitar contato com a população local. Passageiros serão retirados em grupos separados por nacionalidade e levados sob protocolos rígidos de biossegurança até aeroportos militares ou estruturas de quarentena.
Os cidadãos espanhóis serão encaminhados para quarentena em Madri, enquanto outros países organizam operações próprias de repatriação. Os Estados Unidos, por exemplo, já anunciaram que irão transferir passageiros americanos para uma instalação de isolamento em Nebraska.
A chegada do navio gerou tensão política e preocupação entre moradores das Ilhas Canárias. Autoridades regionais criticaram o governo central espanhol por autorizar a operação em Tenerife sem ampla consulta local, temendo impactos sanitários e turísticos semelhantes aos vistos durante a pandemia de Covid-19.
Apesar do temor, a OMS reforçou que o risco para a população em geral é considerado baixo, já que a transmissão do hantavírus exige contato próximo e prolongado. Ainda assim, especialistas acompanham o caso com atenção devido à raridade da disseminação humana da cepa Andes em ambientes fechados como navios.
O MV Hondius permaneceu vários dias isolado próximo a Cabo Verde antes de receber autorização para seguir até a Espanha. Durante o período de contenção, passageiros foram confinados em cabines e equipes médicas internacionais passaram a monitorar a situação a bordo.
Especialistas internacionais avaliam que a evacuação precisa ser concluída rapidamente devido à previsão de piora climática na região nos próximos dias, o que poderia dificultar operações marítimas e aéreas.