A decisão de Trump ocorre em meio a um surto de gripe aviária, levantando preocupações sobre a segurança sanitária nos Estados Unidos
Marina Milani Publicado em 21/01/2025, às 18h23
Na última segunda-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após sua posse, assinou um decreto determinando a saída do país da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta decisão segue críticas anteriores de Trump à entidade, as quais foram intensificadas devido à sua resposta à pandemia de covid-19. Durante a cerimônia na Casa Branca, Trump declarou que os EUA contribuem de forma desproporcional em comparação à China para o financiamento da OMS, afirmando ainda que a organização "nos roubou".
Os Estados Unidos são o maior financiador da OMS, que tem sua sede em Genebra, e a retirada do país pode resultar em uma reestruturação significativa da organização e na interrupção de diversas iniciativas globais de saúde.
No decreto assinado, Trump orienta as agências federais a suspender "transferências futuras de fundos do governo dos Estados Unidos, apoio ou recursos à OMS" e as incita a buscar parceiros confiáveis tanto nacionais quanto internacionais para dar continuidade às atividades anteriormente realizadas pela OMS. A nova administração também manifestou intenção de revisar e possivelmente cancelar a Estratégia de Segurança Sanitária Global 2024, iniciativa estabelecida pelo governo de Joe Biden para enfrentar ameaças de doenças infecciosas.
Durante seu primeiro mandato, Trump já havia iniciado o processo para retirar os EUA da OMS, acusando a organização de estar sob influência chinesa nas fases iniciais da pandemia. Tom Frieden, ex-diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) durante o governo Obama, criticou essa decisão no X, afirmando que a saída da OMS enfraquece a influência americana e aumenta o risco de pandemias mortais.
A retirada dos Estados Unidos resultará em perda de acesso a dados essenciais sobre vigilância epidemiológica, conforme alertaram diversos especialistas. Isso pode comprometer as capacidades do país em prevenir e monitorar ameaças à saúde global. Além disso, agências de saúde americanas e empresas farmacêuticas dependem fortemente da OMS para obter informações cruciais no desenvolvimento de vacinas e tratamentos. Lawrence Gostin, professor de direito de saúde pública na Universidade de Georgetown, ressaltou que "ao invés de sermos os primeiros a receber vacinas, estaremos no fim da fila", enfatizando que essa decisão prejudica a segurança dos EUA e sua competitividade na inovação.
A decisão ocorre em um contexto preocupante, já que o país enfrenta um surto significativo de gripe aviária que reacende temores sobre uma nova pandemia. Recentemente, os Estados Unidos confirmaram seu primeiro caso humano relacionado ao vírus H5N1 no início deste mês.