Relatório aponta que 840 milhões já sofreram abusos e 316 milhões foram atacadas por parceiros no último ano
Gabriela Nogueira Publicado em 19/11/2025, às 16h51
Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde traz um retrato duro da realidade enfrentada por mulheres em diferentes partes do planeta. A estimativa é que cerca de 840 milhões delas já tenham sofrido algum tipo de violência doméstica ou sexual ao longo da vida, um número que praticamente não mudou desde o começo dos anos 2000.
Nos últimos doze meses, 316 milhões de mulheres com 15 anos ou mais foram vítimas de agressões cometidas por parceiros íntimos. Isso representa 11% da população feminina adulta. Para a OMS, o progresso no combate a esse tipo de violência tem sido tímido demais, com uma queda anual que não chega a meio ponto percentual nas duas últimas décadas.
A pesquisa também trouxe dados inéditos sobre violência sexual praticada por pessoas que não são parceiros. Segundo a organização, 263 milhões de mulheres foram vítimas desse tipo de agressão, embora especialistas lembrem que o número real deve ser bem maior, já que o medo e o estigma ainda impedem muitas vítimas de falar sobre o assunto.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chamou atenção para a gravidade do problema e afirmou que nenhuma sociedade pode se considerar justa enquanto tantas mulheres vivem com medo. Ele destacou que cada número representa uma vida profundamente afetada e reforçou que o empoderamento feminino é fundamental para qualquer avanço em saúde, desenvolvimento e segurança.
As consequências da violência são profundas e atingem vários aspectos da vida das vítimas. Gestações não planejadas, maior exposição a infecções sexualmente transmissíveis e quadros de depressão e ansiedade estão entre os impactos mais frequentes. A OMS reforça que serviços de saúde sexual e reprodutiva precisam ser fortalecidos para atender quem busca ajuda.
O relatório mostra ainda que essa violência começa cedo. Só no último ano, 12,5 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos disseram ter sido agredidas física ou sexualmente por parceiros. Em regiões mais pobres, afetadas por conflitos ou vulneráveis às mudanças climáticas, os riscos são ainda maiores. Na Oceania, exceto Austrália e Nova Zelândia, a taxa de violência por parceiro atinge 38%, muito acima da média global.
Apesar de mais países estarem reunindo dados para criar políticas públicas, ainda há muitas lacunas. Faltam informações especialmente sobre violência sexual praticada por terceiros e sobre o que enfrentam mulheres indígenas, migrantes ou com deficiência.
Diante desse cenário, a OMS pede ações mais firmes e mais investimento para transformar a realidade de milhões de mulheres e meninas. O relatório destaca que enfrentar essa violência é urgente e exige esforço contínuo de governos, instituições e sociedade.