Investigação dos EUA sobre importações brasileiras pode gerar novas tarifas

Apuração comercial do governo Trump mira produtos importados que possam envolver trabalho irregular ou exploração de mão de obra

Trump analisa comércio brasileiro sob suspeita de práticas irregulares - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 13/03/2026, às 09h24

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana a abertura de uma nova investigação comercial envolvendo o Brasil, sob alegações de utilização de trabalho forçado na produção de bens ou na importação de produtos de terceiros países feitos nessas condições.

A medida foi determinada pelo Representante Comercial da Casa Branca (USTR, na sigla em inglês) e faz parte de um processo chamado Seção 301, da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA adotar sanções comerciais unilaterais caso sejam constatadas práticas desleais.

Ao todo, 60 países estão sob investigação, incluindo importantes parceiros comerciais do Brasil, como China, México e União Europeia. O objetivo da investigação é avaliar se os governos estrangeiros estão tomando medidas eficazes para impedir que produtos fabricados com trabalho forçado cheguem ao mercado americano. Caso sejam identificadas falhas, o USTR pode impor tarifas, suspender concessões comerciais ou firmar acordos vinculativos para cessar a prática.

Segundo Jamieson Greer, embaixador e Representante Comercial dos EUA, a apuração deve ser concluída até o final de julho, quando expiram as atuais tarifas emergenciais aplicadas por Donald Trump após a Suprema Corte considerar ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos Emergenciais Internacionais (IEEPA).

“Essas investigações vão determinar se os governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado e como a falha em erradicar essas práticas impacta trabalhadores e empresas americanas”, afirmou Greer.

Antes de aplicar o tarifaço de 50%, Trump já havia sinalizado uma investigação sobre comércio desleal do Brasil. A apuração estava relacionada a desmatamento, direitos autorais e até sistemas de pagamento digital. Até o momento, essa primeira investigação não resultou em tarifas concretas. A nova investigação, porém, amplia o foco, concentrando-se sobretudo na importação de produtos de terceiros países feitos com trabalho forçado.

Entre os países sob análise estão Argentina, Austrália, Bangladesh, Canadá, Colômbia, Índia, Japão, Rússia, Reino Unido, Uruguai e Vietnã, entre outros. A iniciativa faz parte de uma estratégia dos EUA de reforçar a flexibilidade do governo para tarifar diferentes países conforme interesses econômicos e geopolíticos, afirmam auxiliares do republicano.

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