Qassem foi escolhido e oficializado como novo chefe da organização nesta terça-feira (29)
William Oliveira Publicado em 30/10/2024, às 13h39
Em um pronunciamento realizado de um local não revelado, o novo líder do Hezbollah, Naim Qassem, reafirmou o compromisso do grupo em manter o conflito contra Israel. Qassem foi escolhido e oficializado como novo chefe da organização nesta terça-feira (29).
"Continuaremos nosso plano de guerra dentro das estruturas políticas delineadas. Permaneceremos no caminho da guerra. Podemos continuar a lutar por dias, semanas e meses", declarou Qassem.
De acordo com ele, seu papel é dar continuidade ao legado de Sayed Hassan Nasrallah, seu predecessor, abrangendo aspectos políticos, sociais e culturais. Qassem também lançou uma advertência a Israel: "Saia de nossas terras para diminuir suas perdas. Se você ficar, pagará", afirmou.
Contudo, ele não descartou a possibilidade de um cessar-fogo entre as nações, desde que haja uma proposta que considere justa.
"Se os israelenses decidirem que querem parar a guerra, dizemos que aceitamos. Mas com as condições que considerarmos adequadas. Até agora, não há nenhuma proposta que Israel aceite para nos ser oferecida para discussão", finalizou.
O líder reiterou que o Hezbollah luta pelo Líbano e não pelos interesses de outros países, referindo-se à aliança com o Irã.
Quem é Naim Qassem?
Um mês após o assassinato do antigo líder Hassan Nasrallah em um ataque aéreo israelense no Líbano, o Hezbollah nomeou Sheikh Naim Qassem como seu novo secretário-geral. Qassem era secretário-geral adjunto do grupo islâmico xiita radical libanês desde 1991 e possui vasta experiência política. Antigo professor universitário, ele é conhecido como o "historiador do Hezbollah".
A escolha de Qassem foi feita pelo Conselho Shura do Hezbollah, órgão máximo de deliberação que, antes da guerra iniciada em 23 de setembro, contava com sete membros. Aos 71 anos, Qassem nasceu em Kfarfila, no sul do Líbano, e está ligado ao núcleo fundador do Hezbollah desde sua criação em 1982.
Embora sua experiência política seja notável, Naim Qassem não tem um envolvimento direto com questões militares, tradicionalmente geridas por Nasrallah e seu sucessor Hachem Safieddine, morto recentemente em outro ataque israelense.
Uma peculiaridade do novo líder é o uso do turbante branco, diferentemente do preto usado por Nasrallah, que é reservado aos descendentes diretos do profeta Maomé. Essa distinção pode impactar sua aceitação entre os xiitas, para quem ser um "sayyed" inspira respeito e lealdade.