El Mencho

Morte de traficante desencadeia onda de violência que deixa 68 mortos no México

Retaliação após a operação que matou o líder do cartel provoca ataques coordenados, bloqueios e mobilização de militares

Ônibus incendiados bloqueiam rodovia em Jalisco após onda de ataques atribuídos ao cartel CJNG - Imagem: Reprodução | REUTERS

Lívia Gennari Publicado em 23/02/2026, às 21h01

A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, provocou uma onda de violência que se espalhou por várias regiões do México nas últimas 24 horas, resultando em ao menos 68 mortes e um alerta máximo de segurança decretado pelo governo federal.

Segundo o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, os ataques foram coordenados por remanescentes do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), que reagiram de forma imediata à morte do seu líder. Entre os mortos estão 25 agentes da Guardia Nacional de México, além de um servidor da Procuradoria-Geral e um guarda prisional. As autoridades indicam que cerca de 30 integrantes do próprio cartel também foram mortos em confrontos.

Entenda o conflito

A operação que levou à morte de “El Mencho” ocorreu no domingo (22), durante uma ação de inteligência no estado de Jalisco. De acordo com o Exército mexicano, militares foram atacados enquanto o traficante era conduzido por aliados até um avião particular, onde embarcaria para receber tratamento por problemas renais. O secretário da Defesa, Ricardo Trevilla, afirmou que o cerco foi concluído graças a informações fornecidas por uma 'parceira amorosa' do criminoso.

A operação que resultou na morte de “El Mencho” contou também com apoio de inteligência dos Estados Unidos. Além dos mortos, o governo informou que pelo menos 70 pessoas foram presas em ações simultâneas realizadas em sete estados.

A eliminação de Osguera Cervantes representa, segundo especialistas, o golpe mais significativo contra o narcotráfico desde a captura de Joaquín 'El Chapo' Guzmán. O CJNG, rival direto do Cartel de Sinaloa, tornou-se nos últimos anos o principal fornecedor de fentanil e metanfetamina para os Estados Unidos, operando com estruturas paramilitares, uso sistemático de drones explosivos e veículos blindados improvisados.

A morte do líder desencadeou uma série de bloqueios e incêndios criminosos em rodovias de Jalisco, com ônibus e caminhões usados para travar estradas estratégicas. Diante do cenário, o governo federal anunciou o envio de 2.500 militares adicionais para reforçar o controle da região.

Imagem: Reprodução | Reuters


Presidente se posiciona

Em pronunciamento oficial, a presidente Claudia Sheinbaum pediu calma à população e garantiu que as autoridades trabalham para restabelecer a normalidade. “O essencial neste momento é proteger a população e assegurar que a paz prevaleça”, afirmou durante coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (23).

Com a instabilidade provocada pela perda de seu líder, o futuro do CJNG é incerto, mas, por ora, o impacto imediato é sentido nas ruas, onde a disputa pelo comando interno do cartel já começa a se desenhar em meio à escalada de violência.

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