Os presidentes discutem a importância do G20 e BRICS para promover o multilateralismo e enfrentar o protecionismo global
Gabriela Thier Publicado em 12/08/2025, às 19h24
Na noite desta segunda-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping mantiveram uma conversa telefônica que durou cerca de uma hora. Durante o diálogo, ambos reafirmaram seu compromisso em explorar novas oportunidades de negócios entre Brasil e China, especialmente em um cenário internacional marcado pelo aumento das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A agência de notícias Xinhua reportou que Xi Jinping enfatizou a intenção da China em estabelecer um exemplo de "unidade e autossuficiência" entre os principais países do Sul Global. O presidente chinês apelou para que nações se unam contra o unilateralismo e o protecionismo, promovendo assim um mundo mais justo e sustentável.
A recente política comercial dos EUA busca corrigir a perda de competitividade da economia americana frente à China nas últimas décadas. Nesse contexto, Lula e Xi concordaram sobre a importância do G20, que reúne as maiores economias do mundo, assim como do BRICS, um bloco de países emergentes, para a promoção do multilateralismo e a construção de consensos entre nações em desenvolvimento.
De acordo com a Xinhua, Xi Jinping expressou apoio ao Brasil na defesa de sua soberania nacional e na proteção dos direitos legítimos do país. O presidente chinês também instou as nações do Sul Global a trabalharem juntas pela equidade nas relações internacionais.
A China se destaca como o maior parceiro comercial do Brasil, com as duas nações desfrutando de uma Parceria Estratégica Global, refletindo um alto nível de colaboração diplomática. Durante a conversa, os líderes discutiram os avanços nas sinergias entre seus programas nacionais de desenvolvimento e se comprometeram a expandir a cooperação em áreas como saúde, petróleo e gás, economia digital e tecnologia espacial.
A guerra comercial iniciada pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, resultou em tarifas que variam conforme o déficit comercial dos Estados Unidos com outros países. Embora as tarifas inicialmente aplicadas ao Brasil tenham sido menores devido ao superávit americano com o país, em julho, Trump decidiu elevar significativamente a tarifa imposta ao Brasil para 50%, em resposta a decisões que afetaram empresas de tecnologia dos EUA.
As novas tarifas entraram em vigor no dia 6 de agosto e impactam cerca de 35,9% das mercadorias exportadas ao mercado norte-americano, representando 4% das exportações brasileiras. Diante desse cenário, o governo federal está elaborando um plano de contingência que incluirá medidas como concessão de crédito para empresas afetadas e incremento das compras governamentais.
Além disso, Lula tem promovido uma política de abertura de novos mercados para produtos brasileiros. Em recente declaração, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que as exportações para os EUA caíram de 25% para apenas 12% do total exportado pelo Brasil.
Na mesma conversa com Xi Jinping, Lula também buscou intermediar a retomada das exportações de pé de frango para a China após a reabilitação do status do Brasil como país livre da gripe aviária. A China é o maior importador da carne de frango brasileira e havia suspendido as compras devido a focos da doença no país.
Durante a conversa telefônica, os líderes ainda discutiram a atual conjuntura internacional e os esforços recentes pela paz entre Rússia e Ucrânia. Lula sublinhou também a relevância da participação chinesa na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém (PA) em novembro deste ano. O presidente Xi confirmou que uma delegação de alto nível da China estará presente no evento e manifestou disposição para colaborar com o Brasil para garantir seu sucesso.