Declaração sobre tropas norte-coreanas na guerra reforça denúncias de práticas extremas e amplia tensão internacional
Redação Publicado em 29/04/2026, às 10h56
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, afirmou que soldados enviados para atuar ao lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia cometeram suicídio para evitar a captura pelas forças adversárias.
A declaração foi feita durante um discurso oficial, divulgado pela agência estatal KCNA, em uma cerimônia de homenagem aos militares mortos em combate.
Segundo Kim, os soldados que optaram pela própria morte devem ser considerados “heróis”, por escolherem, segundo ele, preservar a honra em vez de se render. O líder também exaltou os combatentes sobreviventes como “patriotas leais”.
A fala ocorre em meio ao aprofundamento da cooperação militar entre Pyongyang e Moscou. Estimativas de autoridades da Coreia do Sul, da Ucrânia e de países ocidentais indicam que cerca de 14 mil soldados norte-coreanos foram enviados para apoiar operações russas, especialmente na região de Kursk.
Desse total, mais de 6 mil teriam morrido, segundo avaliações de inteligência. Relatórios e depoimentos de desertores apontam que parte dos militares recorreu a métodos extremos, incluindo autodetonação, para evitar a captura.
Especialistas internacionais veem a declaração de Kim Jong-un como um sinal de que tais práticas podem não apenas ocorrer, mas também ser incentivadas pelo regime. Há suspeitas de que soldados recebam orientações para tirar a própria vida em situações de risco de captura, evitando interrogatórios e possível vazamento de informações estratégicas.
Em contrapartida ao envio de tropas e armamentos, a Coreia do Norte teria recebido apoio econômico e tecnológico da Rússia, incluindo cooperação na área militar, de acordo com análises da inteligência sul-coreana.
A declaração do líder norte-coreano amplia a pressão internacional e deve intensificar críticas de organizações de direitos humanos, que já acompanham o envolvimento do país no conflito.