EUA

Juiz federal nos EUA questiona deportação de criança americana para Honduras

O pai da menina contesta a deportação, alegando que não foi consultado e que a filha, sendo cidadã americana

O pai da menina contesta a deportação, alegando que não foi consultado e que a filha, sendo cidadã americana - Imagem: Reprodução / Isac Nóbrega / PR / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 26/04/2025, às 20h32

Na última sexta-feira (24), um juiz federal da Louisiana levantou sérias preocupações a respeito da deportação de uma criança americana de apenas dois anos, identificada como V.M.L., para Honduras. O incidente ocorreu após a menina ser detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), sendo posteriormente enviada ao país natal de sua mãe, Jenny Carolina Lopez Villela.

O pai da criança, residente nos Estados Unidos, apresentou uma petição judicial contestando a deportação, argumentando que não foi consultado sobre a decisão e que, por ser cidadã americana, sua filha não deveria ser enviada para fora do país.

O juiz Terry Doughty, encarregado do caso, agendou uma audiência para o dia 16 de maio com o objetivo de investigar os fatos. Durante suas considerações, Doughty enfatizou que a legislação vigente proíbe a deportação de cidadãos americanos e questionou se as autoridades competentes seguiram os procedimentos legais necessários. O governo federal alegou que a deportação foi realizada a pedido da mãe, no entanto, o juiz ressaltou a ausência de evidências concretas que comprovassem que ela havia dado consentimento formal para tal ação.

Esse episódio se insere em um contexto mais amplo de controvérsias relacionadas às políticas de imigração implementadas durante a administração Trump, caracterizadas por expulsões em massa. O caso de V.M.L. destaca as dúvidas sobre a legalidade dessas operações, que têm sido frequentemente desafiadas nos tribunais dos Estados Unidos. Situações semelhantes, como a deportação equivocada de Kilmar Ábrego García, um imigrante salvadorenho retornado ao El Salvador sem o devido processo legal, também fazem parte desse panorama problemático.

O juiz Doughty revelou que tentou contatar a mãe da menina após a deportação, mas recebeu informações de que o voo com ela e suas filhas já havia partido em direção a Honduras. Até o momento, o governo não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido. O debate acerca da legalidade das deportações continua ganhando força, com vários juízes federais expressando desacordo em relação às ações do governo Trump, especialmente após sua reeleição e o aumento das medidas contra imigração irregular.

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