Ministro português reafirma que Portugal avalia constantemente a possibilidade de reconhecer o Estado da Palestina
Gabriela Thier Publicado em 27/05/2025, às 19h15
Na última segunda-feira (26), o ministro israelense dos Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, emitiu um alerta contundente de que Israel pode avançar com a anexação de partes da Cisjordânia caso países como o Reino Unido e a França decidam reconhecer formalmente o Estado palestino.
Durante uma conversa com Jean-Noël Barrot, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Dermer afirmou que Israel poderá adotar ações unilaterais, incluindo a legalização de colonatos não autorizados e a anexação de áreas na Zona C da Cisjordânia. Este setor é o maior entre os três que compõem a divisão administrativa do território, estabelecida pelos Acordos de Oslo, que foram firmados como temporários e nunca implementados plenamente.
Os Acordos de Oslo, assinados em 1993, determinaram que a Zona C ficaria sob administração israelense, enquanto a Zona B seria controlada administrativamente pela Autoridade Palestina com supervisão militar israelense. A Zona A estaria sob total administração palestina.
As declarações de Dermer surgem em um contexto de crescente pressão internacional para o reconhecimento do Estado palestino, especialmente com a iminente Cúpula em Nova York programada para o dia 18 de junho, co-presidida pela França e pela Arábia Saudita, conforme reportado pelo jornal israelense Haaretz.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, também fez declarações semelhantes sobre possíveis "medidas unilaterais" em resposta às posições de Barrot e do secretário britânico das Relações Exteriores, David Lammy. Essas informações foram confirmadas por relatos do Israel Hayom, corroborados por Haaretz.
No mês passado, Lammy mencionou que Londres estava dialogando com Paris sobre a possibilidade de reconhecer o Estado palestino. No entanto, ele enfatizou que essa decisão dependeria de consequências tangíveis.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, reafirmou o compromisso da União Europeia com uma solução que promova a existência de dois Estados. Em uma publicação nas redes sociais X, após uma conversa telefônica com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, Costa expressou expectativa pela conferência da ONU programada para junho em Nova York.
Além disso, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, declarou que Portugal continua avaliando constantemente a possibilidade de reconhecer o Estado da Palestina. Em uma coletiva ao lado do colega alemão Johann Wadephul, Rangel reiterou que a posição de Lisboa está sempre sob análise e diálogo com outros países sobre esse assunto.
Rangel destacou que essa abordagem reflete uma doutrina consistente e em evolução: "A nossa posição quanto ao reconhecimento está espelhada numa doutrina que repeti variadas vezes no Parlamento. Isso significa algo que está sempre em avaliação e conversação com parceiros que já reconheceram o Estado da Palestina ou aqueles que acreditam ser necessário dar outros passos antes desse reconhecimento". O ministro acrescentou ainda que essa doutrina permanece inalterada e que as dinâmicas da realidade podem eventualmente levar ao reconhecimento formal do Estado palestino.