Grupo palestino pressiona nova administração dos EUA por medidas concretas em defesa dos direitos do povo palestino
Marina Milani Publicado em 08/11/2024, às 08h11
Com a vitória de Donald Trump nas eleições americanas, o Hamas emitiu uma declaração pedindo que o novo presidente assuma um papel decisivo para interromper a guerra na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A milícia, classificada por diversos países como organização terrorista, exigiu que Trump pressione o governo de Israel a cessar a ofensiva militar contra o povo palestino. A manifestação ocorre após Trump sugerir que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, resolva o conflito antes da posse, marcada para 20 de janeiro.
Em sua declaração, o Hamas enfatizou que Trump deve escutar “as vozes do público dos EUA, que por mais de um ano vêm se manifestando contra a agressão israelense na Faixa de Gaza.” Além de pedir o fim dos ataques, o grupo também fez um apelo para que a nova administração americana cesse o apoio militar e político ao governo israelense e defenda os “direitos legítimos” dos palestinos à autodeterminação e à criação de um Estado palestino com Jerusalém como capital.
O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, destacou que Trump será colocado à prova ao assumir o poder, especialmente em relação à sua afirmação de que seria capaz de encerrar a guerra em Gaza “em apenas um dia”. Em uma declaração à agência Reuters, Abu Zuhri sugeriu que o novo presidente deveria aprender com os erros do governo Biden e, dessa forma, trabalhar por uma solução rápida e justa para o conflito.
A declaração do Hamas acende ainda mais as discussões sobre as expectativas para a relação de Trump com o Oriente Médio. Durante seu mandato anterior, ele manteve uma política de apoio contundente a Israel, reconhecendo Jerusalém como capital do país e promovendo acordos de paz entre Israel e outras nações árabes. Contudo, as demandas atuais colocam Trump diante de um novo desafio, onde precisará equilibrar seu apoio tradicional a Israel com a pressão internacional e a crescente crise humanitária em Gaza.
O anúncio de Trump pedindo a Netanyahu que resolva o conflito até sua posse gerou diversas reações entre autoridades e analistas do Oriente Médio. Especialistas acreditam que a expectativa de uma resolução acelerada do conflito é ambiciosa, dada a complexidade histórica da região. Mesmo assim, o apelo de Trump sinaliza uma tentativa de intervenção, que poderia influenciar profundamente os rumos do conflito entre Israel e Palestina nos próximos meses.
Para o grupo, a nova liderança representa uma oportunidade para alcançar uma paz que, segundo eles, respeite os direitos legítimos do povo palestino e ponha fim ao que consideram uma “agressão genocida”.